Declarações do Cardeal Sodano lançam discussão As declarações efectuadas esta semana pelo Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Angelo Sodano, em relação a uma eventual renúncia do Papa suscitaram uma onda de reacções em todo o mundo. O Cardeal Sodano afirmou que uma eventual renúncia de João Paulo II por motivos de saúde constitui “uma questão de consciência” do Papa, vincando que ele tem todas as capacidades para “tomar a decisão mais conveniente”. “A renúncia é algo que nós deixamos à consciência do Papa: se há alguém que sabe o que se deve fazer, esse alguém é ele”, afirmou o Cardeal Sodano, ao inaugurar a Livraria Internacional João Paulo II, situada junto à Praça de São Pedro, no Vaticano. As vozes que consideram o Papa incapaz de governar a Igreja aproveitaram estas declarações para sugerir que a renúncia estaria próxima, mas essa ideia nunca pareceu fazer parte dos planos de João Paulo II, apesar de estar prevista no Código de Direito Canónico (cân. 332, parágrafo 2 – se acontecer que o Romano Pontífice renuncie ao cargo, para a validade requer-se que a renúncia seja feita livremente, e devidamente manifestada, mas não que seja aceite por alguém). “Nós temos de ter uma enorme confiança nele. Ama a Igreja mais que ninguém, sabe o que é que se deve fazer”, sublinhou o Secretário de Estado do Vaticano. O Cardeal Sodano disse ainda que “Pio IX foi Papa durante 32 anos: fazemos votos para que João Paulo II supere esta meta”. Por mais de uma vez, o Papa referiu que permanecerá no cargo “até que Deus queira”. João Paulo II tem a capacidade e a autoridade para decidir e a decisão está tomada há muito tempo.
