Remar em conjunto no Apostolado do Mar

“Remamos em conjunto”. Foi com esta frase que um padre da Corunha resumiu o terceiro encontro dos responsáveis do ‘Apostolado do mar’ de França, Espanha e Portugal, que se realizou de 28 de Fevereiro a 2 de Março em Leça da Palmeira. Este encontro serviu para reflectir sobre a temática da evangelização da afectividade, reportando-se “à dimensão da religiosidade popular no mundo marítimo, concretamente através das procissões e catequeses de rua (algumas com mais de vinte anos de vivência) com que muitas das paróquias marítimas vivem e testemunham a sua fé cristã” – escreveu o Pe. Sílvio Couto, da Obra do Apostolado do Mar em Portugal. Os cerca de vinte participantes fizeram uma análise daquilo que nos três países é a vivência da afectividade na dimensão religiosa, tanto entre os pescadores e as paróquias como ao nível do «Stella Maris». «Stella Maris» é desde há muito tempo o “apelativo preferido, com que a gente do mar se dirige Àquela em cuja protecção sempre confiou: a Virgem Maria. Jesus Cristo, seu Filho, acompanhava os Seus discípulos nas viagens de barca (cf. Mt. 8, 23-27) ajudava-os nas suas fadigas e aplacava as tempestades (cf. Mt. 14, 22-33) Assim também a Igreja acompanha os homens do mar, cuidando das peculiares necessidades espirituais daqueles que, por motivos de vários tipos, vivem e trabalham no ambiente marítimo” – Carta Apostólica de João Paulo II sobre o Apostolado do Mar. Num país como Portugal onde dois terços das Dioceses são de incidência marítima, “ainda se nota pouca sensibilidade – mais correctamente deveremos dizer: muita insensibilidade – ao ‘lugar teológico’ do mar como espaço da revelação de Deus e como oportunidade de evangelização sempre viva e actual” – sublinha o Pe. Sílvio Couto No entendimento de Mons. Pierre Molères, Bispo de Bayonne e um dos participantes, a grande questão reside num mundo secularizado “em busca da riqueza do religioso, como evangelizar, tendo em conta que as novas gerações têm dificuldade em aderir à linguagem dos gestos que usamos na pastoral?” Fazendo-se eco do que já se faz, o «Apostolado do mar» numa paróquia piscatória deve ter presente que tem “de estar presente em todos os sectores em que se nota o sabor a sal, pois há uma maneira diferente de entender as coisas”. Atendendo à necessidade de revitalizar os centros ‘Stella maris’, concretamente de Leça da Palmeira e de Aveiro, os responsáveis destes centros preparam-se para contactar, em Tarragona ou Barcelona, por forma a aprender a acolher e a fazer destes centros espaços de evangelização. Estar em dinâmica marítima “é muito mais de que fazer procissões com símbolos marítimos ou até percorrendo com imagens de santos algum espaço com água. Estar em ‘apostolado do mar’ é inspirar a maresia e deixar-se insuflar de espírito com sabor a sal, percebendo as repercussões da fragilidade humana sobre as tormentas sobre o mar, tanto nas horas de boa pesca como nos momentos de tragédia” – aconselha o pároco de Santiago de Sesimbra.

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