O Reitor do Santuário de Fátima, Pe. Luciano Guerra, vai promover uma conferência de imprensa pelas 13h15, na casa de Nossa Senhora do Carmo, para abordar as notícias avançadas na manhã de hoje sobre um eventual desagrado do Vaticano em relação às iniciativas ecuménicas e inter-religiosas no Santuário. De acordo com o Correio da Manhã a Santa Sé já teria manifestado junto da Conferência Episcopal portuguesa que esta deverá mudar o Bispo de Leiria-Fátima, bem como substituir o Reitor do Santuário. O Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa já assegurou à Agência ECCLESIA que esta notícia “carece de objectividade”. Esta não é a primeira vez que o Pe. Luciano Guerra vem a público esclarecer uma nova polémica por causa da alegada pretensão de fazer de Fátima um “santuário de todas as religiões”. Em textos publicados na “Voz da Fátima”, o responsável tem assegurado que “o Santuário procura ser fiel à mensagem de que Deus o fez depositário, e não pode deixar de notar o carácter nitidamente católico que a mesma inculca, tanto nas aparições do Anjo como nas de Nossa Senhora, que contêm alusões dramáticas ao papel mediador do Papa e dos Bispos, na unidade da Igreja, e para a paz do mundo”. Segundo este responsável, uma nova campanha de carácter anti-ecuménico e contra o diálogo inter-religioso surgiu recentemente na Internet, aproveitando a vinda do Dalai Lama e, posteriormente, de um grupo de hindus ao Santuário. Já no final do ano de 2003 a Reitoria do Santuário de Fátima, e outras instâncias da Igreja receberam uma grande quantidade de correspondência, no seguimento de uma notícia sensacionalista publicada pelo semanário Portugal News, editado em inglês, no Algarve, por ocasião do Congresso Internacional sobre “O presente do Homem e o futuro de Deus”, que teve lugar em Outubro do ano passado, no Santuário. Nesse congresso, esteve presente o presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, D. Michael Fitzgerald, que elogiou a abertura ao debate por parte do Santuário de Fátima, considerando que esta estratégia corresponde ao esforço do Pontificado de João Paulo II de encontrar “um espaço de convivências” com outros credos. Nessa altura, como agora, os responsáveis pela campanha acusavam o Reitor do Santuário de querer fazer de Fátima “um centro inter-religioso onde as religiões do mundo se reunirão para prestar homenagem aos seus deuses”. As notícias incluíam ainda a alegada informação de que o Santuário estaria prestes a sofrer uma reconstrução completa com uma nova basílica “com o aspecto de um estádio inter-confessional, que abrirá aquele recinto sagrado dos católicos, em plano de igualdade, aos cultos mais diversos, incluindo muçulmanos, judaicos, budistas, hindus, e outras religiões pagãs”. A estas notícias, o Pe. Luciano Guerra respondeu afirmando que “é nossa convicção que a grande maioria, talvez a totalidade, das reacções recebidas, é o resultado de uma longa orquestração, a partir dos Estados Unidos da América, por parte de pessoas que se opõem acirradamente ao Concílio Vaticano II, sobretudo no que respeita a todas as suas aberturas, com relevo para o diálogo ecuménico e inter-religioso”. Em relação à visita de um grupo hindu a Fátima, reconstituindo a que foi efectuada por Morari Bapur em Maio de 1982, o Reitor do Santuário esclarece que “o sacerdote que acompanhava o grupo cantou uma oração durante alguns minutos; não fez qualquer gesto, não realizou qualquer rito, sobre ou fora do altar. O tradutor explicou que ele pedira à Santíssima Mãe que desse aos governantes das nações sabedoria e discernimento, para que no mundo pudesse haver paz”. “Anotamos que esta intenção da paz, por ser universal, é a mesma, ao que supomos, que vem trazendo ao Santuário outras personalidades não-católicas, como por exemplo o Dalai Lama, o Presidente da República da União Indiana, e as esposas dos Presidentes Clinton e Arafat”, esclareceu o Pe. Luciano Guerra.
