Ramos dão início à semana maior

A vivência do Domingo de Ramos de Norte a Sul do país É o primeiro dia da Semana Santa. Nele, a Igreja comemora Cristo, o Senhor, que entra em Jerusalém para levar a cabo o seu mistério pascal. São, de facto, aparentemente contraditórios os dois aspectos relevantes deste dia: faz-se memória de uma entrada triunfal e gloriosa, mas de imediato se ouvem relatos de paixão e morte… Nas Eucaristias, faz-se memória desta solene chegada do Senhor. Mas é de todo indispensável que, mais que os ramos de oliveira, se valorize o mistério expresso mediante a procissão, que proclama a realeza messiânica de Cristo. Uma tradição iniciada em Jerusalém, no Séc. IV, rapidamente passou à Hispânia, Gália e Germânia, até ser adoptada em Roma, no Sé3c. XI. Em Braga, na manhã de Domingo de Ramos cumprem-se estes dois actos – bênção e procissão de ramos e Missa com leitura ou canto da Paixão – normalmente sob a presidência do Arcebispo Primaz ou de algum dos seus Auxiliares. O cortejo de Ramos inicia-se na Igreja do Seminário Conciliar (Largo de S. Paulo), donde desce para a Sé, cujas portas se abrem, depois de simbólica resistência, para que “entre o Rei da Glória”. Um outro acto deste dia na cidade é a Procissão dos Passos que, ao fim da tarde, sai da Igreja do Seminário e percorre algumas ruas do centro histórico. Trata-se de um desfile simbólico das figuras que intervieram no julgamento, condenação e morte de Cristo. Mais a Sul, em Elvas, neste Domingo, os cristãos levam à missa ramos de alecrim para serem benzidos pelo celebrante. Com estes ramos, os agricultores fazem cruzes que colocam nos campos para abençoar as searas. Aqueles que não trabalham no cultivo das terras colocam os respectivos raminhos desse alecrim na lapela do casaco dos amigos ou padrinhos e dizem: «verde és, verde cheiras, ficas preso até Quinta-feira». Essas pessoas ficam comprometidas a darem as amêndoas aos seus amigos ou afilhados (folar da Páscoa). Aos afilhados, por vezes, também dão dinheiro ou outra prenda. Em Dornes, Ferreira do Zêzere, os cristãos daquela localidade para recordar a Paixão e Morte de Cristo, realizam, no Domingo de Ramos, uma Via Sacra intitulada “uma vela a Jesus”. Ao longo dos 14 cruzeiros e em direcção ao altar de Nossa Senhora do Pranto, os presentes vivem os momentos “sofredores de Jesus”. Em Monção, mais concretamente na paróquia de Pias, a «Função do Senhor dos Passos» (Domingo de Ramos), realiza-se há mais de 300 anos. Os cristãos reúnem-se na Capela da Senhora do Encontro para a bênção dos ramos de palma e oliveira. Logo de seguida, forma-se uma procissão e segue-se em direcção à Igreja Paroquial, que está ornamentada de escuro em sinal de luto.

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