A igreja de S. Paulo ganhou uma nova visibilidade entre todos os templos religiosos da cidade de Braga, ao ser eleita como igreja-piloto de toda a Arquidiocese de Braga para acolher a implementação do projecto “Igreja Segura”. Ontem, um grupo de especialistas em segurança e conservação e restauro do património móvel e imóvel visitou aquela igreja para avaliar as condições que apresenta a esses níveis. Os jornalistas puderam acompanhar também a visita guiada pelo director do Gabinete de Actividades Culturais do Instituto de História e Artes Cristãs da Arquidiocese de Braga, cónego José Paulo Abreu. A atenção dos técnicos de segurança e do inspector da PJ viraram-se para os acessos à igreja e constataram a necessidade de algumas portas serem reforçadas com fechaduras com padrões de segurança elevada. A igreja de S. Paulo está já equipada com sistemas de detecção de incêndios e de intrusão, pelo que não deverá ser necessário a aplicação de sistemas de segurança mais extensos e permanentes. Pela robustez das portas e gradeamento das janelas, o templo não necessita de qualquer intervenção a este nível. O projecto “Igreja Segura” tem por objectivo dotar os templos religiosos – que concentram grande parte do património do país – das condições necessárias para que o património esteja seguro, mas ao mesmo tempo acessível ao público. O também reitor do Seminário de Santiago, ao qual pertence a igreja, salientou aos jornalistas a necessidade de se proteger o melhor possível o espólio patrimonial das igrejas mas, «de forma a torná-lo acessível às pessoas que o queiram observar». O cónego José Paulo Abreu recordou o tempo em que as igrejas permaneciam abertas todos os dias e que possibilitavam a que qualquer pessoa, a qualquer hora do dia, pudesse entrar para rezar ou, simplesmente, para observar a sua riqueza patrimonial. Aquele clérigo lembrou que «70 por cento do património do país está nas mãos da Igreja Católica» mas que o seu valor e conservação «pertence a todos proteger», uma vez que «faz parte da cultura e da alma do país». O responsável pela igreja de S. Paulo admite que ainda subsista na mente de alguns padres o medo de perderem os bens religiosos e justifica esse sentimento revivalista com o que se passou em 1910. «É preciso sabermos ultrapassar essa ideia porque, se a propriedade da Igreja for respeitada, ela deve colocar ao dispor de todos esse mesmo património», salientou o cónego José Paulo Abreu.
