João Paulo II lembrou, no passado sábado, que o trabalho da Igreja Católica deve ter como opção fundamental a atenção pelos mais pobres. Numa mensagem enviada aos participantes do VI Encontro Internacional dos bispos e sacerdotes amigos da comunidade romana de Santo Egídio, o Papa assinalara a importância desta associação que, há 36 anos, tem como principais objectivos a evangelização e a caridade. “Com preces fervorosas, imploramos a sabedoria evangélica que nos faz compreender o vínculo de amor que une os pobres a Jesus e a seus discípulos! Efectivamente, o Divino Mestre usa o termo irmãos para indicar os discípulos e os pobres, num único círculo de amor”, referiu. O texto de João Paulo II recorda as palavras de João XXIII que, gostava de dizer que a Igreja é de todos, “mas em especial dos mais pobres”. Para os discípulos de Cristo, sublinha o Papa, o pobre é “um irmão a ser acolhido e amado, e não um estranho a quem dedicar, quando necessário, apenas alguns momentos de atenção”. “Os pobres são nossos mestres, pois nos fazem compreender aquilo que todos somos diante de Deus: mendigos de amor e de salvação”, acrescenta. A mensagem do Papa foi lida a representantes das comunidades orientais e africanas, de delegações europeias e do mundo político italiano, que se uniram ao aniversário da Comunidade de Santo Egídio, actualmente com cerca de 50.000 membros em 63 países do mundo. O fundador de Santo Egídio, o historiador italiano Andrea Riccardi, referiu no final da celebração que “compreendemos cada vez mais, com o passar dos anos, que não há solidariedade duradoura e profunda sem autêntica espiritualidade”.
