Primeiras beatificações no novo pontificado

Cardeal Saraiva Martins pede abertura ao Espírito de Deus O Cardeal José Saraiva Martins presidiu no passado sábado às primeiras beatificações do pontificado de Bento XVI. As novas beatas são as religiosas norte-americana Marianne Cope (1838-1918), evangelizadora dos leprosos em Molokai, e a espanhola Ascensão do Coração de Jesus (1868-1940), co-fundadora das Irmãs Dominicanas do Santíssimo Rosário, instituídas para a evangelização das tribos amazónicas. Na sua homilia, pronunciada em italiano, castelhano e inglês, D. José Saraiva Martins definiu a beata Ascensão do Coração de Jesus como “uma das grandes missionárias do século passado”. “Era uma lutadora intrépida e infatigável, assim como tinha uma ternura materna capaz de conquistar os corações”, lembrou. Sobre a outra beata, o Cardeal português afirmou que a vida de Marianne Cope era “uma maravilhosa obra da graça divina”. Foi a sucessora do apóstolo dos leprosos em Molokai, o beato padre Damião De Veuster. “A beata Marianne amou os leprosos mais do que a si mesma. Serviu-os, educou-os e guiou-os com sabedoria, amor e força. Viu neles o rosto sofredor de Jesus”, explicou o prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Em conclusão, tendo em vista a solenidade de Pentecostes, D. José Saraiva Martins disse que “as duas beatas abriram de par em par a sua vida ao Espírito de Deus e deixaram-se conduzir por Ele no serviço à Igreja, aos pobres, aos doentes e à juventude”. A decisão do Papa Bento XVI de não presidir às cerimónias de beatificação retoma uma tradição interrompida em 1971, quando Paulo VI e depois João Paulo II decidiram passar a presidir a este tipo de cerimónia. O Cardeal Saraiva Martins explicou à Agência ECCLESIA que não se trata de uma novidade, mas da recuperação de uma “tradição de séculos, que se manteve até 1971”.O Papa Bento XVI irá presidir só às cerimónias de canonização, as únicas que exigem a infalibilidade do Papa e o culto universal do novo santo. De facto segundo a tradição, não era o Papa quem celebrava as beatificações, nem mesmo quando se realizavam em Roma, na Basílica de S. Pedro. O rito era celebrado por um Bispo e por um Cardeal, delegado do Santo Padre. Foi Paulo VI, precisamente em 1971, que presidiu na Basílica de S. Pedro à cerimónia de beatificação de Maximiliano Maria Kolbe – era a primeira vez que isso acontecia. Depois, por ocasião do Ano Santo de 1975 que viu incrementar as cerimonias de beatificação, Paulo VI tornou estável esta decisão e passou a presidir pessoalmente às beatificações até ao fim da sua vida. A praxe introduzida por Paulo VI foi seguida constantemente por João Paulo II, que até mesmo durante as numerosas e frequentes viagens apostólicas e pastorais nos vários continentes e países começou a efectuar naquelas Igrejas o rito da beatificação, para além das solenes concelebrações eucarísticas. “Agora volta-se à tradição e penso que é bom, porque fica mais clara a diferença entre beatificação e canonização”, assinala o Cardeal português da Cúria Romana.

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