Presidenciais 2026: «A estabilidade é um bem em si próprio. A instabilidade social só provoca o caos», alerta editora de Politica da Renascença

Susana Madureira Martins espera uma segunda volta «muito dura, uma campanha muito de ataque pessoal»

Foto: Lusa

Lisboa, 22 jan 2026 (Ecclesia) – A editora de Politica da Rádio Renascença destaca que os eleitores devem estar atentos aos “valores de estabilidade” dos candidatos à 2.ª volta da eleição do Presidente da República que vai ser “muito dura, muito de ataque pessoal”.

“O eleitor tem que tomar consciência daquilo que lhe reserva o futuro, não imediato, mas a prazo. Se bem que a Europa diz-nos, provavelmente, qual é que é o destino, o nosso destino, o que está a acontecer em vários países europeus. E, em Portugal, normalmente, as coisas acontecem um pouco mais tarde”, disse Susana Madureira Martins, em entrevista à Agência ECCLESIA.

Para a jornalista, os eleitores devem estar atentos “aos valores de estabilidade” para a decisão do seu voto, nesta 2.ª volta da eleição para o Presidente da República de Portugal, “olhar a prazo e de ter um rumo um pouco económico, muito de estabilidade”.

Não quer dizer que não se façam mudanças, mas de estabilidade e de não entrada no caos, de perceber que a polarização social e política é inconveniente, é prejudicial ao rumo do país. A estabilidade é um bem em si próprio, a instabilidade social só provoca o caos e há quem convive bem com isso.”

Cartaz: Comissão Nacional de Eleições – Portugal

A segunda volta das eleições presidenciais 2026, no dia 8 de fevereiro, tem dois candidatos, António José Seguro e André Ventura, respetivamente os mais votados no escrutínio de 18 de janeiro.

Susana Madureira Martins espera “uma segunda volta muito dura, uma campanha muito de ataque pessoal”, e assinala que se “André Ventura já veio dizer ao que vem”, a estratégia de António José Seguro “é o mais retraído possível”, não se colar a nenhum partido, e, sobretudo, “não entrar num ataque pessoal”.

“Não sei até que ponto é que isso é exequível, que continua a ser razoável neste combate com André Ventura, que vai ser muito violento. O candidato apoiado pelo PS, António José Seguro, já veio dizer que está preparado para tudo, e é bom que esteja, porque André Ventura não vai perdoar”, desenvolveu.

Para a editora de Politica da Rádio Renascença, as eleições do último domingo “revelaram uma hecatombe do PSD”, com Luís Marques Mendes em 5.º lugar, com a possibilidade de “estar a haver uma direção de uma parte do eleitorado de direita para André Ventura”, é preciso ver que “efeitos terá para uma segunda volta”, e se António José Seguro “consegue ou não captar uma parte ou grande parte do eleitorado de direita”.

A jornalista da emissora católica destaca que na primeira volta das eleições presidenciais foi valorizada sobretudo a pessoa e não o partido político, foi “sobretudo revelador” em relação a António José Seguro, que teve uma percentagem eleitoral “bastante acima do resultado que o Partido Socialista teve nas últimas eleições”, para além da “consistência” de André Ventura, presidente do Chega, “que vale por si próprio mais até do que o partido que lidera”.

Susana Madureira Martins destaca que “os partidos tradicionais estão a enfrentar uma crise existencial”, os partidos fundadores da democracia não reuniram 50% dos votos, o que, se calhar, revela “um pouco” de maturidade da democracia mas também fragilidade.

“Revela um pouco que os partidos tradicionais não conseguem captar grande parte do eleitorado. Basicamente, não resolvem os problemas das pessoas, há uma espécie de apodrecimento social, do Estado Social, que os partidos ditos tradicionais não conseguem resolver ou dar a volta”, desenvolveu, no Programa ECCLESIA, transmitido esta quinta-feira, na RTP2.

PR/CB/OC

A 2.ª volta das Presidenciais 2026, a eleição para o Presidente da República, está marcada para o dia 8 de fevereiro, em território nacional, entre as 08h00 e as 19h00; ​​no estrangeiro a votação realiza-se nos dias 7 e 8 de fevereiro, nos locais definidos pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, informa a Comissão Nacional de Eleições (CNE).

A ordem das candidaturas no boletim de voto, conforme sorteio realizado no Tribunal Constitucional, esta quarta-feira, dia 21 de janeiro, é: 1.º – António José Martins Seguro; 2.º – André Claro Amaral Ventura.

A CNE, que está a dinamizar a campanha “a desinformação não vota, mas influencia”, divulgou as datas para as inscrições no Voto Antecipado, que já estão a decorrer para doentes internados e para os presos, até 29 de janeiro, e as inscrições para o Voto Antecipado em Mobilidade, são entre 25 e 29 de janeiro, e a votação realiza-se no dia 1 de fevereiro; informações que estão também disponíveis no Portal do Eleitor.

 

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