D. Rui Valério assinalou que celebrar 90 anos «é reconhecer uma vocação social»

Lisboa, 09 jan 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa presidiu à Missa comemorativa dos 90 anos do Sindicato de Atividade Turística, Tradutores e Intérpretes (SNATTI), e afirmou que esta celebração “é reconhecer uma vocação social”, na homilia, esta sexta-feira, no Mosteiro dos Jerónimos.
“Tradutores e intérpretes são, por natureza, mediadores: fazem passar palavras, sentidos, culturas, visões do mundo. Onde há tradução verdadeira, há aproximação; onde há interpretação fiel, há entendimento; onde há mediação honesta, constrói-se confiança”, disse D. Rui Valério, hoje, dia 9 de janeiro, na homilia enviada à Agência ECCLESIA.
O patriarca de Lisboa acrescentou ao Sindicato de Actividade Turística, Tradutores e Intérpretes que isso também “é testemunho”, é tornar possível o encontro, “evitar o isolamento, impedir que o outro permaneça estrangeiro”.
“Celebrar noventa anos de um sindicato profissional não é apenas recordar uma cronologia institucional. É reconhecer uma vocação social.”
Nesta celebração eucarística, explicou D. Rui Valério, davam graças pelos 90 anos de história da SNATTI que representam “trabalho, mediação, serviço e compromisso”, e indicou que a liturgia recordava-os que “a gratidão autêntica abre sempre ao futuro”.
“Como o leproso curado, somos enviados: a oferecer, a testemunhar, a servir. A fazer da nossa herança não um museu, mas uma sementeira”, indicou aos membros do Sindicato de Atividade Turística, Tradutores e Intérpretes.
Segundo D. Rui Valério, a Palavra de Deus escutada na Missa convergia para o “tema essencial” do testemunho, aquele que “nasce do encontro com Deus, gera reconhecimento agradecido e exige correspondência responsável”, não “um testemunho abstrato ou meramente verbal”.
São João, na primeira leitura, apresentou um testemunho que vem de Deus e que se manifestou de forma concreta, “o Espírito, a água e o sangue”, a fé cristã não se apoia numa teoria, “mas numa vida recebida e comunicada”, enquanto no Evangelho essa dinâmica tornou-se ainda mais visível, com o leproso curado que “não fica fechado na experiência íntima da sua cura”, mas Jesus enviou-o “ao sacerdote e pede-lhe que faça a oferta prescrita, «para lhes servir de testemunho»”.
“O testemunho une sempre três dimensões: reconhecer o dom, agradecer o dom e corresponder ao dom. Quando uma delas falta, o testemunho empobrece. É com esta chave que podemos olhar para a história que hoje assinalamos”, realçou o patriarca de Lisboa, na sua homilia ao SNATTI, no Mosteiro dos Jerónimos.
D. Rui Valério destacou que a cidade de Lisboa e esta Igreja particular “nasceram e cresceram com uma profunda consciência de responsabilidade universal”, o Patriarcado de Lisboa, criado no início do século XVIII, “não foi apenas uma distinção honorífica”, e a bula que o instituiu evocou “explicitamente o empenho dos reis de Portugal na propagação da fé”.
“Preservar valores não é embalsamar a memória. É deixá-la gerar futuro. Uma herança espiritual verdadeira obriga a escolhas no presente: na forma como se trabalha, como se comunica, como se respeita a dignidade de cada pessoa, como se promove o bem comum. O testemunho cristão – e humano – não consiste em falar mais alto, mas em viver de modo coerente, legível, fecundo.”
O SNATTI foi a primeira instituição portuguesa criada para “defender, valorizar e organizar as profissões do setor turístico”, desde 1936.
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