Revela o bispo de Aveiro “Cada vez se faz mais importação de fora daquilo que não presta, e se deixa, sem préstimo, o que, de seu natural, é bom” – afirma o bispo de Aveiro na sua coluna semanal no jornal «Correio do Vouga». No comentário «Este País Onde Tudo Chega Mais Tarde…», D. António Marcelino sublinha que “o que pode passar sem lei ou torneando a lei, não se atrasa. O que se julga ser exigência de uma modernidade arbitrária e sem regras, vai aparecendo, mais ou menos como facto consumado. O que tem interesses a explorar de qualquer ordem, se tarda já vem a caminho”. Entretanto, “os pobres aumentam, os casamentos desfazem-se mal nascem, o aproveitamento escolar não melhora, a tentação do supérfluo leva a perder o necessário, as relações sociais encrespam-se e edificam-se por todo o lado, estátuas com pés de barro” – constata o prelado de Aveiro. Alguns meios de comunicação social “ajudam, cada dia, este empobrecimento colectivo, calando o que vale e dando valor ao lixo”. E acrescenta: “muitos dos que escrevem, também já não pensam. Parecem autómatos teleguiados, dependentes de quem lhes dá o pão a ganhar. Ou se pensam, é sempre e só numa direcção”. Para que a situação melhore, D. António Marcelino revela que “é preciso pintar o quadro com pouca luz, que também não tem muita, para ver se as pessoas acordam, se organizam e assumem um papel activo em relação ao rumo deste país, onde há “mais problemas para além do deficit”.
