Portugal explora imigrantes

Denúncia de Comissário Europeu chega na semana em que as associações, ligadas aos imigrantes, promovem uma concentração para exigir a sua legalização O Comissário Europeu dos Direitos Humanos, Alvaro Gil-Robles, denunciou num relatório o mau funcionamento da justiça portuguesa e a exploração dos imigrantes em Portugal por patrões sem escrúpulos, revela hoje o Diário de Notícias. No relatório, elaborado após uma visita a Portugal em Maio do ano passado, Gil-Robles disse que a exploração dos imigrantes recai sobretudos sobre os ilegais, estimados entre 30 a 50 mil, que trabalhavam no sector da construção civil “com salários baixos, sem qualquer seguro de doença e de acidente”. Este é um dos motivos que leva várias associações de imigrantes, contando com o apoio do Colectivo de Organizações Católicas para a Imigração (CORCIM), irão promover, no próximo dia 31, uma concentração para exigir a legalização dos estrangeiros em Portugal. A manifestação decorrerá no Largo de Camões, em Lisboa, no mesmo dia em que decorrem iniciativas idênticas noutras cidades europeias, numa iniciativa do Fórum Social Europeu (FSE). O Comissário Europeu dos Direitos Humanos denunciou, igualmente, que os imigrantes legais são explorados, uma vez que precisam de renovar os seus vistos de residência. O dia 31 de Janeiro, consagrado à legalização dos imigrantes na Europa, representará assim uma ocasião para lançar vários alertas em relação à exclusão de que sofrem os imigrantes no nosso país. Gil-Robles pediu mais fiscalização por parte da inspecção de trabalho, o alargamento do prazo para a renovação do visto de residência e a diminuição do valor da renovação do visto de residência (75 Euros), por ser excessivo para os imigrantes que ganham pouco. “O que restará a estas pessoas é voltar aos seus países, eventualmente com uma proposta de trabalho, esperando que os mecanismos previstos na lei funcionem, ou que sejam repatriados”, referiu ontem à Agência ECCLESIA o Pe. Rui Pedro, director da Obra Católica Portuguesa de Migrações. Recorde-se que a Comissão Europeia pretende criar um fundo de 30 milhões de Euros para repatriar imigrantes ilegais, com o dinheiro a ser gerido pela Agência de controlo de fronteiras externas.

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