Portugal: D. Rui Valério apela a escolha de um presidente com «sensibilidade» para todas as dimensões do ser humano

Na sua terra natal, patriarca de Lisboa alertou que a «primeira figura da Nação» deve fazer mais do que gerir o progresso material e os «equilíbrios de curto prazo»

Urqueira, Ourém, 04 jan 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu hoje à Missa na sua terra natal, onde destacou a importância das próximas eleições presidenciais, defendendo que a chefia do Estado exige atenção à totalidade do ser humano.

“Tratando-se de eleger a primeira figura da Nação, a sua dedicação não se pode cingir ao progresso material, e aos equilíbrios de curto prazo. Tem de ter também uma sensibilidade à totalidade do cada ser humano; aos aspetos de dimensão espiritual e religiosa”, declarou, na celebração da Solenidade da Epifania.

Numa homilia enviada à Agência ECCLESIA, D. Rui Valério sublinhou que se vivem atualmente “tempos de particular responsabilidade para os portugueses” devido à aproximação do sufrágio para a presidência da República, a 18 de janeiro.

Para o patriarca de Lisboa, o “verdadeiro desempenho político” deve ultrapassar a satisfação de “necessidades imediatas” para mirar o “definitivo e absoluto”, partindo do exemplo bíblico de Herodes que, embora com outras intenções, acabou por colaborar na identificação do lugar do nascimento do Messias.

A homilia explorou a simbologia da “manifestação” do Senhor, sublinhando que Deus não se impõe, mas revela-se “na justa e exata medida em que é procurado e desejado”, tal como aconteceu com os Magos que tiveram a coragem de sair das suas seguranças.

A Epifania, palavra de origem grega que significa ‘brilho’ ou ‘manifestação’, celebra-se sempre a 6 de janeiro nos países em que é feriado civil; nos outros países, assinala-se no segundo domingo depois do Natal, como acontece hoje em Portugal; popularmente, a celebração do calendário litúrgico católico é conhecida como Dia de Reis.

“A revelação de Deus em Jesus Cristo acontece dentro de um diálogo, porventura tácito, entre Ele e o crente que o deseja e procura”, explicou D. Rui Valério, questionando a assembleia sobre a passividade na vida de fé: “Tenho caminhado para Ele ou espero que Ele se manifeste sem eu mover um passo?”.

A intervenção abordou também a qualidade das relações humanas através das ofertas dos Magos – ouro, incenso e mirra -, alertando que aquilo que se entrega aos outros tem um efeito transformador.

“Se dermos ‘vinagre’ – amargura, crítica e ressentimento – ajudaremos a construir pessoas azedas”, advertiu o patriarca, contrapondo que oferecer o “ouro do respeito”, o “incenso da oração” e a “mirra da compaixão” ativa nos outros a sua dignidade.

A celebração encerrou-se com um apelo à mudança de vida, evocando o regresso dos Magos “por outro caminho”, uma indicação que D. Rui Valério classificou como existencial: “Quem encontra verdadeiramente Jesus Cristo não pode voltar pela mesma estrada de egoísmo”.

OC

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