Portugal: Bispos apelam à paz, ao acolhimento dos migrantes e ao combate à pobreza nas mensagens de Natal

Presidente da CEP pede construção de uma «sociedade mais justa»

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Lisboa, 24 dez 2025 (Ecclesia) – Os bispos portugueses centraram as suas mensagens de Natal deste ano nos desafios sociais, com apelos reiterados ao acolhimento dos migrantes, à valorização da família e à urgência da paz num mundo marcado por conflitos.

D. José Ornelas, presidente da CEP, deu o mote ao convidar os cristãos e as pessoas de boa vontade a “construir uma sociedade mais justa”, sublinhando que o nascimento de Jesus é um compromisso com a dignidade humana.

Na sua mensagem à diocese de Leiria-Fátima, o bispo reforçou que os problemas na sociedade portuguesa devem ser enfrentados com “coragem, competência e autêntico espírito de Natal”.

O tema das migrações atravessou várias intervenções: o bispo da Guarda, D. José Miguel Pereira, defendeu uma “resposta fraterna da Igreja à imigração”, enquanto em Aveiro, D. António Moiteiro pediu explicitamente: “Centremos a nossa atenção nos migrantes”.

Também o arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, apelou a um “Natal de gestos concretos para com idosos, migrantes e vítimas da guerra”, e o bispo de Vila Real, D. António Augusto Azevedo, escreveu que o Natal inspira “sociedades livres e solidárias”.

A defesa da vida e a centralidade da família foram destacadas por D. José Traquina, bispo de Santarém, que destaca a valorização da vida humana e da família, falando do Natal como “oportunidade para valorizar a pessoa”.

No Porto, D. Manuel Linda apelou a uma “revolução da ternura”, enquanto nos Açores, o bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, incentivou a “palavras e sentimentos novos”.

Várias mensagens alertaram para o risco de desvirtuar a quadra, apelando à valorização da dimensão espiritual.

D. Nuno Almeida, bispo de Bragança-Miranda, pediu aos fiéis para serem “zeladores cuidadosos” para que o Natal “não seja um evento consumista e lúdico””.

A partir de Viseu, D. António Luciano recordou que o presépio é o “grande sinal” da esperança cristã”.

O bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, desafiou a celebrar “o Natal de Jesus com alegria e com fé” contra “o consumo, o vazio e o sem sentido da festa pela festa”.

Na Arquidiocese de Braga, D. José Cordeiro e os seus bispos auxiliares convidaram a um “sim criativo capaz de transformar o mundo”; em Portalegre-Castelo Branco, D. Pedro Fernandes sublinhava que “continua a fazer tanto sentido viver o tempo do Advento”.

O bispo das Forças Armadas e de Segurança, D. Sérgio Dinis, lembrou aos militares que “o Natal começa na fragilidade”.

No Algarve, D. Manuel Quintas, deseja que, neste Natal, se renove o compromisso de viver “com gestos concretos os valores da justiça, da paz, da esperança e da verdadeira fraternidade”.

O bispo de Beja fez “um apelo especial” aos políticos e aos governantes em Portugal, “a quem foi confiada a nobre missão de zelar pelo bem comum”; D. Fernando Paiva destacou as áreas da justiça, apoios sociais e saúde, na mensagem de Natal 2025.

Num poema como mensagem para esta quadra, o bispo de Lamego, D. António Couto, lançou um pedido: “Vem, Senhor Jesus. E vindo, não te esqueças de bater à minha porta, entrar em minha casa, comer à minha mesa”.

Na Noite de Natal,  o patriarca de Lisboa afirmou na Mensagem de Natal que é possível a “paz que não nasce da força” e defendeu que cada pessoa é “portadora de dignidade”, “independentemente da terra de onde venha”.

“Ninguém é um número, um produto ou um recurso descartável. Cada pessoa é única, portadora de uma dignidade que nenhuma circunstância pode apagar”, afirmou D. Rui Valério na mensagem divulgada na Noite de Natal.

CB/PR/LJ/LFS/OC

(Notícia atualizada no dia 24 de dezembro, às 21h30)

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