Porto: Bispo lembra guerras de «ferocidade animal» e frisa compromisso «com a paz»

D. Manuel Linda lembrou aspetos observados ao longo do Ano Santo 2025, na Missa do primeiro dia de 2026

Porto, 01 jan 2026 (Ecclesia) – O bispo do Porto fez hoje um balanço do Ano Santo 2025, na Missa a que presidiu na catedral da cidade, destacando a guerra como uma das “dores e angústias da sociedade” com que a Igreja contactou.

“Vimos xenofobia, discriminação e oposição à integração das minorias. E vimos guerras. Guerras de uma ferocidade animal. Guerras que conduziram ao rearmamento e fizeram desta indústria, porventura, a que mais cresceu”, afirmou D. Manuel Linda, na homilia da Missa presidida no primeiro dia de 2026, citada pelo jornal diocesano ‘Voz Portucalense’.

O bispo diocesano frisou o compromisso “com a paz”, no Dia Mundial a ela dedicado, e lembrou a mensagem do Papa Leão XIV para esta data, intitulada “Rumo a uma paz desarmada e desarmante”.

“Alerta-nos para aquilo que sabemos bem, mas teimamos em esquecer: se a paz não começar em nós próprios, não a vamos encontrar nas técnicas de morte, cada vez mais aperfeiçoadas para matar mais e gerar destruição total”, recordou.

Lembrando 2025, o bispo do Porto destacou também outros acontecimentos como “desastres naturais”, “atrocidades tornadas rotineiras”, “desequilíbrio social e económico crescentes”, “redes sociais agressivas”, “aumento da crise familiar”, “da violência entre os adolescentes e jovens, do avanço do individualismo e consumismo”.

No que toca às atividades relativas ao Jubileu 2025, D. Manuel Linda indicou ter observado “muitos sentimentos plenamente humanos a nível das relações interpessoais, forte solidariedade fraterna, a dádiva de si para servir os outros, ministérios ordenados e instituídos” e a “colaboração entre os Estados”.

O bispo diocesano salientou ainda “a afirmação da dignidade humana na cultura e no desporto, mulheres e homens que se dispõem generosamente a servir o bem comum por intermédio da política” e o “avanço de uma ciência humanizada e humanizadora”.

“Vimos muita beleza”, expressou.

Na homilia, D. Manuel Linda pediu “ânimo e força” à “Mãe de Deus” para o Sínodo Diocesano, que convocou no passado domingo, durante a Missa de encerramento do Ano Jubilar 2025, chegar “a bom porto”.

Mãe de Deus e nossa Mãe, este ano vai também congregar-nos à volta dos trabalhos do nosso Sínodo. Abençoa este projeto do qual a Igreja do Porto sente necessidade. Queremos corresponder ao sonho que Deus tem para nós, conhecer melhor a nossa realidade eclesial, estarmos à altura deste tempo e aceitar os desafios e interpelações do mundo de hoje”, expressou.

O bispo assinalou a vontade de congregar todos de forma a que sintam sua a realidade que formam, a Igreja, neste caso, a Diocese do Porto.

No final da homilia, o bispo concluiu com uma prece à Mãe de Deus: Transporta-nos durante este tempo da história no teu colo, bem junto ao teu coração de Mãe. Pedimos-te isso para todos os fiéis da Diocese do Porto, especialmente para aqueles que sentem mais necessidade de consolação: os tristes, os doentes, os velhinhos e quantos sofrem”.

LJ

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