«Os próximos meses vão ser difíceis», afirma o pároco, padre Rui Rodrigues, após a tempestade Leonardo ter causado danos em carros e deixado pessoas desalojadas na cidade

Portalegre, 05 fev 2026 (Ecclesia) – O padre Rui Rodrigues, pároco de Portalegre, descreveu hoje que a tempestade Leonardo atingiu uma “área restrita da cidade”, provocando o desalojamento de pessoas e danos em carros que atingiram uma obra social em construção.
“Foi a primeira a apanhar com tudo isto. Houve carros que estavam na estrada que foram levados para dentro da obra. Atrasou-nos aqui o prazo e este período vai ser difícil, os próximos meses vão ser difíceis”, afirmou o sacerdote, em declarações à Agência ECCLESIA.
Em causa estão as novas instalações do Centro Social de Santo António, comparticipadas pelo Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), que inclui um pré-infantário e uma creche.
Depois da depressão Kristin, Portugal enfrenta a tempestade Leonardo, que está a provocar inundações em vários pontos do país.
O padre Rui Rodrigues explica que o mau tempo não atingiu “a cidade inteira”, mas uma zona de Portalegre, mais concretamente uma rua, onde “houve uma descarga de terras e lama durante um período muito grande de chuva” e que “não tinha como parar”.
De acordo com o sacerdote, água, pedras e lama foram transportados desde a Serra de São Mamede, levando ao rebentamento de um muro.

O locais atingidos dizem respeito à Avenida de Santo António e zona do Rossio.
“A situação está mais calma neste momento, continuam às vezes uns períodos mais intensos de chuva, agora a acalmar, mas continua a água a correr, porque a água acumulada na serra ainda é muita”, mencionou.
Os danos maiores registam-se em “viaturas”, “alguns prédios”, “halls de entrada”, tendo pessoas ficado presas, devido à lama no exterior.
“E temos o caso, penso que de duas vivendas, onde a água era numa curva, e a lama claro que foi em frente e enfrentou esta subida pelas duas casas, penso que são duas ou três vivendas”, desenvolveu o padre Rui Rodrigues.
Neste momento, a comunidade está preocupada em recuperar a “normalidade”, diz o pároco, que dá conta que pelo menos “duas famílias” podem “ficar desalojadas”.
“Recuperar os danos não será fácil”, testemunha.
Ainda assim, o sacerdote entende que o que aconteceu em “Portalegre é diferente do que está a acontecer noutras zonas” do país.
“Não tem equiparação. Propriamente danos estruturais não existem”, assegurou, realçando que os maiores estragos são em viaturas, “porque de resto não há danos visíveis e carências”.
Na “sequência da intempérie registada durante a noite”, o município de Portalegre informou esta manhã sobre o corte e condicionamento de vários acessos no centro da cidade, nomeadamente nas seguintes artérias: Rossio, Avenida de Santo António, Avenida Frei Amador Arrais e Avenida das Forças Armadas.

Sobre a mobilização no apoio face à situação na região, o pároco demonstrou a disponibilidade da Igreja, apesar de, num primeiro momento, a responsabilidade estar do lado da Câmara.
“Claro que estaremos sempre sensibilizados e atentos. Mas neste momento será mais autarquia, porque tem a ver com limpeza de ruas, com retirar os carros das vias públicas. E isso terá que ser para já as instituições e, sem autorização da Câmara para outros caminhos ou da Proteção Civil, não vamos intervir na via pública para fazer o que seja pela segurança de todos”, disse.
Apesar de em menor quantidade, a passagem da depressão Kristin, na semana passada, também deixou rasto em Portalegre, nomeadamente quedas de árvores sobre o cemitério e campas.
“Agora a Câmara e a Proteção Civil já estão a promover o desbaste e o cortar das árvores. Algumas. As que foram arrancadas, essas sim, estão a ser cortadas”, afirmou.
Num momento conturbado como o que se verifica em Portalegre, o padre Rui Rodrigues evoca as palavras “reerguer” e “esperança”.
“Sabemos que quando caímos temos que nos levantar, não é ficar caídos. E neste momento a palavra sempre que teremos perante as pessoas que se encontram mais desanimadas é a proximidade, o estarmos perto delas, não é deixá-las sozinhas, mas sim estarmos perto delas”, sublinhou.
Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das duas depressões, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados, informa a Lusa.
LJ/PR
