Carta pastoral da CEP, “Responsabilidade solidária e bem comum”, em debate no Centro de Reflexão Cristã As constatações dos bispos portugueses sobre os “Sete pecados sociais, sete sinais de esperança”, propostos na carta pastoral “Responsabilidade solidária e bem comum” de Setembro último, devem ressoar na sociedade portuguesa como alerta para a necessidade de uma verdadeira conversão social. Este foi o pano de fundo das intervenções de Alfredo Bruto da Costa (investigador sobre o fenómeno da pobreza) e José Manuel Pureza (professor universitário na área do Direito Internacional) no debate organizado pelo Centro de Reflexão Cristã (CRC), na passada terça-feira sobre “Egoísmo/Sociedade inclusiva”. A Doutrina Social da Igreja encontra, tradicionalmente, expressões colectivas para o pecado. José Manuel Pureza, em declarações à Agência ECCLESIA, questiona-se se a essa constatação “correspondem formas de penitência e arrependimento social”. “A penitência envolve sofrimento, envolve súplica, e é preciso perceber que tipo de súplicas encontramos no nosso tempo”, vinca. Nesse sentido a intervenção de Alfredo Bruto da Costa procurou encontrar sinais na sociedade portuguesa de primazia de um entendimento “materialista e economicista” sobre outras dimensões da vida, a partir do binómio proposto pelo CRC. O pecado do egoísmo “oficializado” é em Portugal, segundo José Manuel Pureza, a manifestação de um fenómeno mais vasto, com o predomínio de um novo código de valores. “O arrependimento social passa pelo nível das políticas públicas, o nível do associativismo – expressão da preocupação pelo bem comum – e pelo nível da economia da comunhão, que seja vivida com princípios éticos”, assegura. NOVA VIDA PARA O CRC Perto de cem pessoas estiveram no arranque desta nova fase da vida do CRC, um conjunto de debates sobre o documento da Conferência Episcopal Portuguesa. Nas segundas terças-feiras de cada mês serão discutidos “Consumismo/Participação solidária” (10 de Fevereiro), com a economista Manuela Silva e a escritora Lídia Jorge; “Corrupção/Sociedade activa” (16 de Março), negócios e desporto (20 de Abril), a responsabilidade na estrada (8 de Junho), o sistema fiscal (Setembro) e a exclusão social (Outubro). Esta nova programação revela menos preocupações teológicas e mais atenção ao lugar do cristão na sociedade moderna. Guilherme d’Oliveira Martins, novo presidente do CRC, revelou ao jornal “Público” que se trata de uma “estratégia de renovação”, vincando que a nova direcção pretende “estabilizar a vocação do CRC” e fazer da instituição um lugar de diálogo entre cristãos e não-cristãos. Nascido após o 25 de Abril de 1974, o CRC juntou católicos e protestantes, revelando uma vocação de dinamizar a reflexão cultural e teológica. O Centro impôs-se, ao longo destas quase 30 anos, como um lugar de encontro de diferentes sensibilidades cívicas e religiosas, tendo muitos dos seus membros chegado a assumir lugares de destaque na sociedade portuguesa.
