O Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I, convidou oficialmente Bento XVI a visita a sede do Patriarcado, em Istambul, para celebrar a festa litúrgica de Santo André, a 30 de Novembro. A revelação foi feita pelo porta-voz do Patriarcado, Dositeos Anagnostopoulos, em declarações à AFP. O Patriarca Bartolomeu I é considerado o “primus inter pares” e líder espiritual dos 200 milhões de cristãos ortodoxos, mas não é o “Papa” da Igreja Ortodoxa, dado que nela os bispos têm todos o mesmo lugar e a primazia de Constantinopla é apenas honorífica. “Endereçamos ao Papa o nosso convite depois da Páscoa, em início de Maio. Convidamo-lo para a festa de Santo André”, disse Anagnostopoulos. O Vaticano ainda não deu nenhuma resposta ao convite. O caminho para a comunhão entre Roma e Constantinopla foi cimentado no final do mês de Junho com novos gestos que vincam a vontade de Católicos e Ortodoxos em assumir o compromisso de caminhar rumo à unidade “na caridade e na verdade”. A celebração de São Pedro e São Paulo, as traves mestras da Igreja primitiva, foi a ocasião para que Bento XVI e o Patriarcado ecuménico de Constantinopla trocassem impressões sobre a possibilidade de reiniciar o diálogo teológico entre as duas Igrejas, após 12 anos de interrupção. Apesar de todos reconhecerem a importância deste diálogo, a sua verdadeira dimensão requer um olhar sobre a história: a separação das duas comunidades cristãs foi consumada em 1054 e só conheceu melhorias nas últimas quatro décadas. O problema fundamental é de carácter teológico, o primado de Pedro.
