Pastoral da Saúde: «A doença é oportunidade para um encontro transformador» – Padre Pedro Figueiredo, capelão hospitalar

Celebração do Jubileu envolve doentes e o mundo da saúde, com milhares de peregrinos no Vaticano entre sábado e domingo

Lisboa, 04 abr 2025 (Ecclesia) – O padre Pedro Figueiredo, capelão hospitalar no Patriarcado de Lisboa, reconhece na doença uma “oportunidade para um encontro transformador”.

“Podemos diante das fragilidades da nossa vida da nossa vulnerabilidade, com muita facilidade perceber onde queremos alicerçar-nos. Precisamos escutar muito, para que a pessoa encontre dentro de si a presença de Deus e possa permanecer nela no seu caminho”, explica o sacerdote à Agência ECCLESIA.

O Vaticano convida doentes e profissionais da saúde – médicos, enfermeiros, trabalhadores do sector da saúde, voluntários dos cuidados de saúde, agentes da pastoral da saúde – e as suas famílias, a celebrar este fim-de-semana o Jubileu dos Enfermos e o Mundo da Saúde.

Ordenado padre há quatro anos, está desde setembro de 2024 com funções de capelão no Hospital Cuf Descobertas, a par do seu trabalho como vigário paroquial na paróquia de Santa Maria dos Olivais.

O padre Pedro reconhece estar ainda a descobrir como pode ultrapassar a porta de cada quarto individual para conhecer cada utente, abrindo espaço ao conhecimento e ao diálogo, quer com pacientes como com a equipa hospitalar.

“É fundamental a relação com os enfermeiros. Eles identificam silêncios que podem depois ser acompanhados mas também barulhos que ninguém ouve. Há dias o senhor patriarca disse que há uma grande profundidade quando estamos na presença de uma outra pessoa em silêncio, e o verbo, a palavra, a conversa, pode ser um obstáculo a lidar com a profundidade que a pessoa está”, recorda.

O jovem sacerdote recorda a formação no Seminário dos Olivais e o contacto com a fragilidade dos utentes da Casa de Saúde do telhal, dos irmãos São João de Deus: “É extraordinária a proximidade com a fragilidade das pessoas, poder sentir que estou diante da verdade, de alguém que está em verdade”.

O Papa dedicou a sua mensagem para o Dia Mundial do Doente 2025, a quem acompanha os doentes com amor e proximidade, em ligação ao Ano Santo que decorre na Igreja Católica.

“Todos juntos somos ‘anjos’ de esperança, mensageiros de Deus, uns para os outros: doentes, médicos, enfermeiros, familiares, amigos, sacerdotes, religiosos e religiosas. E isto, onde quer que estejamos: nas famílias, nos ambulatórios, nas unidades de cuidados, nos hospitais e nas clínicas”, escreve Francisco.

Dividindo-se entre a assistência espiritual na unidade hospitalar e o trabalho numa paróquia da cidade de Lisboa, o padre Pedro reconhece que cada visita no Hospital é transformadora.

“Nós não somos a mesma pessoa depois de uma visita a um quarto do hospital – eu saio profundamente transformado por aquele encontro e por isso é importante também que os anjos de esperança tenham momentos com o Nosso Senhor para poderem ruminar e dar-se conta daquilo que se passou”, sublinha.

O Papa Francisco indica ainda, na sua mensagem, que os lugares “onde se sofre são frequentemente espaços de partilha”, onde o enriquecimento acontece mutuamente: “Quantas vezes se aprende a esperar à cabeceira de um doente! Quantas vezes se aprende a crer ao lado de quem sofre! Quantas vezes descobrimos o amor inclinando-nos sobre quem tem necessidades!”, realça.

“Nós somos anjos de esperança porque a esperança é uma luz no meio da noite é só uma questão de estar ao lado da pessoa e de poder depois ser alguém que dá a palavra certa num momento certo porque ouviu aquela pessoa – e julgo que todos estamos de algum modo, à procura de Deus na nossa vida à procura de um sentido, à procura de uma felicidade”, explica.

A conversa com o padre Pedro Figueiredo vai estar no centro do programa ECCLESIA, emitido este sábado, na Antena 1, pelas 6h.

LS

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