Páscoa em segurança nas estradas

O Club Stella Maris de Peniche está a promover a campanha “Raid Pastoral – Páscoa 2005”, destinada a promover a segurança nas estradas portuguesas numa altura festiva em que, tradicionalmente, é grande o número de acidentes. A iniciativa procura divulgar a mensagem dos Bispos portugueses sobre esta matéria, assumida no número 21 da Carta Pastoral “Responsabilidade Solidária pelo Bem Comum”, publicada pela Conferência Episcopal Portuguesa em Setembro de 2003. Os acidentes na estrada e o bem comum Face ao número gritante de mortos e feridos provocados pelos acidentes na estrada, 90% dos quais são devidos ao factor humano, queremos falar claramente sobre o drama dos sofrimentos por eles causados, apelando à responsabilidade de todos na melhoria desta área do bem comum. Em todo o mundo, no século XX morreram 35 milhões de pessoas e um bilião e meio de pessoas foram feridas em acidentes rodoviários. Tudo isto é um desafio à nossa preocupação pastoral. Ainda recentemente, os participantes no primeiro encontro europeu da Pastoral da Estrada, organizado pela Santa Sé, lançaram a interpelação seguinte: “Diante desta tragédia deve tornar-se premente – diríamos urgente – o compromisso conjunto, por parte da sociedade civil, das Igrejas, das comunidades eclesiais e também dos ‘líderes’ dos crentes das diversas religiões, em ordem a uma educação sobre a estrada, e não só, desde a primeira fase da infância, com vista a prestar atenção às famílias das pessoas mortas nas estradas e aos feridos, com disponibilidade à mútua compreensão e ao perdão” No nosso país, o elevado e cada vez maior índice de sinistralidade rodoviária coloca questões éticas na perspectiva do direito à vida, à integridade física e psicológica, à harmonia e bem-estar dos cidadãos, à solidariedade. O bem-estar das pessoas e o direito à vida implicam o dever das autoridades competentes de melhorar a rede de comunicações rodoviárias, conservar constantemente os próprios pavimentos, manter uma sinalização adequada nas rodovias e um parque automóvel seguro. Mesmo considerando o deficiente traçado e o mau estado de muitas vias rodoviárias e veículos ou a falta de sinalização correcta, sabemos que o grande responsável por este drama é o próprio condutor. Sem formação técnica e humana, sem consciência cívica, sem responsabilidade solidária e respeito pelos outros, em suma, sem uma mudança de mentalidades, não há leis nem mecanismos possíveis que possam alterar o actual estado da situação. As causas maiores de acidentes de viação situam-se quase sempre na irresponsabilidade do condutor: velocidade excessiva, ultrapassagens e outras manobras perigosas, condução sob o efeito do álcool e outras substâncias psicotrópricas, uso de telemóveis e audição de música em volume elevado, desrespeito pelas regras da cedência de passagem, desrespeito pelos direitos dos peões. Só numa muito reduzida percentagem os acidentes se devem a imponderáveis, não controláveis pelo condutor. Perante esta situação dramática, as soluções devem procurar-se ao nível da prevenção, da intervenção e da coordenação das várias entidades envolvidas. Porém, a medida principal está na educação para a consciência cívica colectiva, na formação para a responsabilidade de todos (autoridades públicas, comunicação social, estabelecimentos de ensino), procurando-se criar uma atitude colectiva de cidadania contra o estado eticamente inaceitável do comportamento de grande parte dos condutores em Portugal e contribuindo, assim, para a sua responsabilização. O condutor é um ser livre, que deve conduzir como pessoa consciente e responsável, observando o código da estrada. Nas suas regras, restrições e constrangimentos, o código da estrada favorece o respeito pelo outro e a própria liberdade do condutor. Este deve saber que, ao seguir as leis do código, procura evitar ao máximo o risco de acidentes e de colisões, além de diminuir, desse modo, o seu estado de preocupação e ansiedade. Uma má condução, além de manifestar um profundo desprezo pela vida, é expressão de mero individualismo, trazendo ao de cima velhos instintos do ser humano, instinto do poder e da agressividade, da combatividade e seu espírito concorrencial. Em termos evangélicos, podemos dizer que uma boa condução, além de realização de um projecto pessoal, é uma ocasião para despertar e amar os outros utentes da estrada, considerados irmãos e irmãs. Carta Pastoral da CEP “Responsabilidade Solidária pelo Bem Comum”

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