Movimento cívico «Mais Vida, Mais Família» diz que as 190 mil assinaturas demonstram que esta posição é maioritária na nossa sociedade O movimento cívico “Mais Vida, Mais Família” entregou hoje ao Presidente do Parlamento cerca de 190 mil assinaturas contra a despenalização do aborto, um número que para os promotores da iniciativa expressa “a vontade dos portugueses”. A contagem de todas as assinaturas, contudo, apenas se concluirá na próxima semana. “Quase 200 mil pessoas quiseram dar um sinal muito claro de que estão descontentes com o que tem sido dito e escrito sobre a maioria dos portugueses ser favorável ao aborto a pedido, o que não é verdade, pelo que quiseram manifestar a sua opinião”, defendeu Isabel Carmo Pedro, um dos elementos recebidos esta manhã por Mota Amaral. A petição seguirá agora o processo normal, até à sua análise e discussão pelos deputados, em plenário. “O senhor Presidente da Assembleia da República recebeu-nos muito bem e congratulou-se pelo número de assinaturas que tínhamos conseguido recolher”, explica à Agência ECCLESIA. Sobre a discussão pública em torno da problemática do aborto, Isabel Pedro lamenta que “se defendam as mulheres contra os filhos, em vez de defendê-los aos dois” e o excesso de incidência sobre as medidas punitivas, “criando uma cultura da morte e não uma verdadeira cultura da vida”. “Afirma-se constantemente que a opinião pública mudou desde 1998, mas o que constatámos foi o contrário: há uma maior defesa da vida, os avanços científicos fazem com que as pessoas tenham mais noção do que é a vida intra-uterina”, acrescenta. Esta promotora salientou ainda que o movimento cívico não tem “qualquer apoio público ou partidário”, nem pretende “ajudar absolutamente ninguém que não as mulheres grávidas”. O segredo para se chegar a tantas assinaturas passou, segundo Isabel Pedro, “pelo empenhamento de um número muito grande de pessoas em todo o país”. O trabalho do “Mais Vida, Mais Família” conclui-se com uma manifestação, em frente ao Parlamento, no dia de amanhã, em que todos os projectos sobre o aborto vão ser votados. “A manifestação pública vai dar visibilidade a todas as associações que têm prestado apoio à vida em desenvolvimento e ajudado as grávidas em dificuldade”, revela esta responsável, que aproveita para acusar os Media de maltratarem os movimentos pró-vida. “Temos esperança de que se possa mostrar aos portugueses que a nossa posição não é minoritária, antes pelo contrário, pelo que os deputados devem atender ao sentir da população portuguesa”, conclui. PROJECTOS SOBRE O ABORTO VOTADOS NO PARLAMENTO O líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, garantiu terça-feira, à agência Lusa, que todos os projectos sobre o aborto vão ser votados quarta-feira e não quinta-feira, dia habitual de votações no Parlamento. Como o debate de quarta-feira vai decorrer “encaixado” na figura regimental do agendamento potestativo (direito de escolha da ordem do dia) do PCP, cabia a este partido decidir se pedia ou não a votação do seu diploma no dia da sua discussão. Na quarta-feira, vão ser discutidos projectos do PCP, PS e BE para alterar a lei que criminaliza o aborto, bem como projectos dos socialistas, bloquistas e uma petição popular a pedir a realização de um novo referendo sobre este tema. PSD e CDS-PP já prometeram “chumbar” todas as iniciativas que visem alterar a actual lei ou convocar novo referendo durante a actual legislatura, e apresentarão um projecto de resolução, o único que terá aprovação garantida, que recomenda ao Governo o combate às causas do aborto. MOVIMENTO ELOGIA PCP E CRITICA BE Alguns dos promotores da Mais Vida, Mais Família foram ontem recebidos pelo chefe de gabinete do grupo parlamentar do PCP, Augusto Flores. A associação tentou agendar encontros com todos os grupos parlamentares, não tendo conseguido, no entanto, agendar com o Bloco de Esquerda e o PS. Teresa Aires de Campos elogiou a “grande abertura” demonstrada pelo comunista na reunião, classificando o encontro como “uma lição de democracia”. Sobre o PCP, Teresa Aires de Campos afirmou a esperança de “encontrar pontes” por acreditar que, apesar de tudo, “a maioria das pessoas, em ambos os lados, só faz o que faz por pensar que é o melhor para a mulher”. O grupo teve também uma audiência com a Coordenadora Nacional para os Assuntos de Família, Margarida Neto(em representação do Ministro da Segurança Social e do Trabalho), com o Grupo Parlamentar do Partido Popular, e com o Ministro dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Mendes.
