Papa propõe caminho conjunto com Judeus e Muçulmanos

João Paulo II referiu-se ontem ao caminho percorrido e a percorrer com os Judeus e os Muçulmanos, apelando a uma “colaboração sem hesitações”, de modo especial para a resolução do conflito israelo-palestiniano. “Quando viramos o nosso pensamento para a Terra Santa, cresce nos nossos corações a dor e a preocupação pela violência que continua a atingir essa região, com demasiado sangue inocente derramado por israelitas e palestinianos”, assinalou. O Papa recordou a filiação das três grande religiões na figura de Abraão, pedindo que Judeus, Cristãos e Muçulmanos caminhem para “a consciência dos laços que nos ligam e da responsabilidade que temos sobre nós”. Numa carta enviada por ocasião cerimónia do centenário da Sinagoga de Roma, que se celebrou a 23 de Maio, o Papa enumera como momentos marcantes da relação entre Católicos e Judeus a declaração “Nostra aetate” do Concílio Vaticano II, a acção da Santa Sé no auxílio aos Judeus durante a II Guerra Mundial, o pedido de perdão da Igreja na viajem de João Paulo II à Terra Santa e a homenagem às vítimas da Shoá. A missiva, dirigida ao Rabino Riccardo Di Segni, evoca a visita que o Papa realizou em 1986 à Sinagoga de Roma, classificando-a como “histórica”. “Ainda há muito caminho para percorrer: o Deus da justiça e da paz, da misericórdia e da reconciliação chama-nos a colaborar sem hesitações no nosso mundo de hoje, lacerado por conflitos e inimizades”, reconheceu. O Papa não esteve presente na cerimónia do centenário da Sinagoga de Roma porque pretende “conservar o carácter único e simbólico” da visita realizou em 1986 ao mesmo local, a primeira vez que um líder da Igreja Católica visitou um local de culto judaico. João Paulo II enviou, como seus representantes, o cardeal italiano Camillo Ruini, vigário para a Diocese de Roma, e o cardeal alemão Walter Kasper, presidente da Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo.

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