Papa não desiste da referência às raízes cristãs na Constituição Europeia

João Paulo II protagonizou uma série de intervenções, na semana passada, em que deixou bem claro que não está disposto a ceder na questão do reconhecimento das raízes cristãs da Europa no futuro tratado Constitucional da UE. Na sexta-feira, ao receber os participantes no encontro promovido pela Fundação “Robert Schuman” para a cooperação dos democratas cristãos na Europa, João Paulo II advertiu mesmo que seria uma injustiça se a Europa negasse a sua dívida para com o cristianismo. “A dignidade da pessoa, o carácter sagrado da vida humana, o papel central da família fundada sobre o matrimónio, a solidariedade, a subsidiariedade, o papel da Lei e uma sã democracia” foram as características enunciadas pelo Papa como derivando desse património europeu que tem as suas raízes no cristianismo, “a força capaz de promovê-los, reconciliá-los e consolidá-los”. Ainda nesse dia foi divulgada a mensagem dirigido ao Cardeal Paul Poupard, Presidente do Conselho de Coordenação entre as Academias Pontifícias, em que João Paulo II voltou a vincar a importância dos valores espirituais, mormente os cristãos, na construção da nova Europa. “Os cristãos são chamados a construir uma verdadeira casa comum, que não seja somente uma construção política, económica e financeira, mas sim uma casa rica de memórias, de valores, de conteúdo espiritual”, referiu. Outra oportunidade aproveitada pelo Papa para manifestar a sua posição nesta matéria foi a visita de Mary McAleese, presidente da Irlanda, país de “rica historia cristã” que segundo João Paulo II “tem um papel essencial que cumprir na construção da nova Europa e na afirmação da sua identidade mais profunda”. Sabe-se que a presidência italiana da UE fará tudo para obter a inscrição de uma referência aos valores cristãos na Constituição Europeia, conforme garantiu o próprio vice-primeiro-ministro italiano, Gianfranco Fini, e que já foi convocada uma reunião de ministros dos negócios estrangeiros, de 28 a 29 de Novembro, para lhes submeter um projecto de compromisso nas áreas mais polémicas, entre as quais está a inscrição no preâmbulo dessa mesma referência.

Partilhar:
Scroll to Top