Bento XVI confirmou hoje a sua “firme determinação” de empenhar-se pela “plena unidade” entre todos os cristãos. Recebendo uma delegação do Patriarcado Ortodoxo de Constantinopla, o Papa assinalou que o diálogo ecuménico “é um caminho longo, não fácil, marcado desde o início por receios e hesitações”. Após agradecer os esforços de Bartolomeu I, Patriarca ecuménico, Bento XVI desejou o restabelecimento dos trabalhos da comissão mista internacional católico-ortodoxa encarregada do diálogo teológico entre as duas Igrejas. Segundo o Papa, é fundamental alimentar um “diálogo de verdade”, baseado numa clarificação teológica e histórica. “É necessário unir as nossas forças e não poupar energias, a fim de que o diálogo oficial entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas, começado em 1980, possa ser retomado com vigor renovado”, apontou. O Papa, que não esconde as diferenças que separam estas Igrejas, procurou descansar os seus interlocutores aos afirmar que “a unidade procurada pela Igreja Católica não é nem absorção nem fusão, mas o respeito por uma Igreja Cristã multiforme”. Nesse sentido, deixou um convite a todos os cristãos para que “dêem, em conjunto, novos passos e promover novos gestos que possam permitir a superação das incompreensões e as divisões que ainda as separam”. Ontem, no Vaticano, a solenidade litúrgica de São Pedro e São Paulo, apóstolos fundadores da Igreja de Roma, fora aproveitada pelo Papa para reafirmar a importância do seu ministério enquanto garante da “unidade”, assinalando que “como Bispo de Roma, o Papa desenvolve um serviço único e indispensável à Igreja universal: é o visível e perpétuo princípio e fundamento da unidade dos Bispos e de todos os fiéis”. Citando a constituição Lumen Gentium do Concílio Vaticano II, o Papa disse que “na comunhão eclesiástica estão legitimamente as Igrejas particulares, com as suas próprias tradições, permanecendo íntegro o primado da Cátedra de Pedro, a qual preside na comunhão universal da caridade, protege a variedade legítima e zela para que aquilo que é particular, não só não corroa a unidade, mas a sirva”. Nesse mesmo dia, Bento XVI disse à delegação ortodoxa que “o primado da Igreja que está em Roma e o do seu Bispo é um primado de serviço à comunhão católica”, sendo a referência central para a unidade doutrinal e pastoral.
