Mensagem lida no funeral do fundador do Comunhão e Libertação Milhares de pessoas reuniram-se esta tarde no Duomo de Milão para o último adeus a D. Luigi Giussani, fundador do movimento eclesial “Comunhão e Libertação” (CL). As exéquias, presididas pelo Cardeal Jospeh Ratzinger em nome do Papa, ficaram marcadas pela mensagem emocionada que João Paulo II quis enviar para a cerimónia. “Agradeço ao Senhor pelo dom da sua vida, gasta sem reservas na adesão coerente à própria vocação sacerdotal, na escuta constante das necessidades do homem contemporâneo e no serviço corajoso à Igreja”, declara. O texto descreve as várias etapas da vida deste movimento e explica que o CL “cresceu com o decorrer dos anos, graças ao ardor apostólicos deste fervoroso sacerdote ambrosiano”, envolvendo inúmeros discípulos “num apaixonante itinerário missionário”. “Dom Giussani propôs a ‘companhia’ de Jesus a muitíssimos jovens que, hoje adultos, o consideram como o seu ‘pai’ espiritual”, refere a carta papal, escrita no próprio dia da morte do fundador do CL. A morte de D. Giussani foi recebida pelo Papa com “profunda emoção”, como ele próprio reconhece na missiva, na qual manifesta a sua proximidade e solidariedade para com todos os que sentem “este momento de dolorosa separação”. João Paulo II recorda as várias ocasiões em que teve ocasião de se encontrar pessoalmente com D. Giussani, confessando admirar “a sua fé ardente, que se traduzia num testemunho cristão capaz de suscitar, especialmente entre os jovens, um acolhimento convicto da mensagem evangélica”. O Papa sublinhou que “toda a sua acção apostólica poderia ser resumida no convite franco e decidido, que ele sabia endereçar a todos quantos o rodeavam, a um encontro pessoal com Cristo, resposta plena e definitiva aos anseios mais profundos do coração humano”. “Cristo e a Igreja, eis a síntese da sua vida e dos seu apostolado”, vincou. Aos membros do CL, João Paulo II deixa o convite de “manter viva a sua intuição carismática”. A mensagem foi sublinhada por uma longa salva de palmas. Mais de 20 mil pessoas seguiram a cerimónia, fora da catedral, através de altifalantes. A maioria dos membros da Cúria Romana e praticamente todo o governo italiano estiveram presentes no funeral de uma das figuras religiosas mais respeitadas em itália nas últimas décadas. «Não te esqueceremos!» D. Julian Carrón, que irá suceder a D. Giussani à frente do CL, também recordou a figura do fundador durante o funeral. “Caríssimo Dom Giussani, levamos-te connosco, na nossa memória, para toda a vida! A febre de vida que experimentámos junto de ti não será nunca esquecida”, assegurou. “O teu olhar não sairá de diante dos nossos olhos, esse olhar através do qual nos sentimos vistos por Jesus”, acrescentou. Procurando sintetizar a herança espiritual de D. Giussani, o seu sucessor referiu que “o Cristianismo é um acontecimento, o encontro que dá plenitude ao ser humano, que dá densidade ao tempo, que oferece capacidade de iniciativa e de construção impossível de encontrar noutro lugar”. “Nós não poderemos viver a relação com Jesus, a fazer memória d’Ele – consistência de toda a realidade -, sem pensar em D. Giussani. A nossa fé em Jesus foi plasmada pela presença de D. Giussani, pelo seu olhar, pelo seu ímpeto de vida”, insistiu. Para o futuro, D. Carrón afirmou que “a unidade entre nós é o dom mais precioso”. “Peço a graça de poder servir este dom da unidade através da responsabilidade que me foi confiada”, indicou. Sobre o CL, o novo líder espera da parte de todos os membros “abertura às sementes da verdade, ímpeto de comunicação” vividos numa fé “que, na obediência à Igreja, se torne olhar e juízo sobre o mundo, afeição verdadeira pelo destino do homem”. Notícias relacionadas • D. Luigi Giussani, de Milão para o mundo
