Os valores da Escola Católica versus o individualismo da sociedade

A força da Escola Católica, “fiel a um projecto educativo”, está na “teia de relações e de compromissos” que “não deixa ninguém nem nenhuma actividade fora dos seus objectivos e propostas” – adiantou D. António Marcelino, Bispo de Aveiro, no I Congresso Nacional da Escola Católica, a realizado em Fátima, de 13 a 15 de Novembro. A cultura “melancólica do desencanto” dos tempos correntes tem as suas raízes sociais “num mundo que põe no centro o económico, se torna cada vez mais burocratizado e frio, num mundo de cosmovisões fragmentadas”. Apesar desta situação, o orador sublinhou que o projecto educativo da Escola Católica passa pela ajuda aos alunos a fazer “a síntese entre a cultura e a fé”. E avança: “sem que para isso desvie o ensino do seu objectivo, antes, fazendo-o a partir da sua melhor compreensão e aprendizagem. O crescimento pessoal só “é normal e verdadeiro”, quando orienta e “exprime a harmonia de todas estas dimensões e logra esse objectivo” – refere o bispo de Aveiro A sociedade contemporânea necessita de “adoptar metodologias complementares onde os valores predominem” – foi o apelo do Pe. José Fernandes, coordenador Pedagógico das Escolas Salesianas. Perante este panorama “individualista” e num congresso subordinado ao tema “Escola Católica – proposta e desafio”, o conferencista deixou algumas linhas programáticas: “acredito num futuro risonho” da APEC (Associação Portuguesa de Escolas Católicas) se existir “uma união de esforços e uma liderança carismática da Escola Católica”. Uma tomada de posição para alterar o rumo dos acontecimentos porque só assim “as pedagogias deixarão de ser materiais” – reforçou o Pe. José Fernandes “As Escolas Católicas não são independentes das políticas de educação dos governos e das instâncias internacionais e europeias” – sublinhou Gilbert Caffin, representante do C.E.E.C. (Comité Européen d´Éducation Catholique). Na sua intervenção, este representante do CEEC no Conselho da Europa, há mais de vinte anos, disse também às nove centenas de participantes que é tempo de “abrir a Escola Católica a uma concepção mais alargada de escola de inspiração cristã, rica de todas as tradições”. E adianta: “Construir uma grande cadeia ecuménica, entre os educadores”. Na nova Europa, os educadores cristãos terão a tarefa notável “de se transportarem ao coração da nossa herança”. Só assim poderão ajudar a “humanidade a superar este momento de crise da história humana”. É a aplicação dos valores, apesar de Gilbert Caffin referir que esta palavra “está demasiado banalizada”. No fim de um currículo escolar, os resultados, “legitimamente esperados” pelos alunos, pela família e pela sociedade devem “ir para além da nota final, outorgada pelo júri do exame”. A Escola Católica também é “legitimamente julgada por estes resultados” mas “não apenas por estes” – apelou D. António Marcelino à comunidade educativa presente no Centro Paulo VI, em Fátima. Aos participantes, o conferencista pediu também que ajudem os alunos a assimilar progressivamente “os valores perenes e autênticos e para a dimensão que, neles, ultrapassa a medida do tempo”. Quando se critica a Escola Católica como um estabelecimento de ensino para elites e para ricos, D. António Marcelino acentua que “nunca a Escola Católica, por sua natureza, pode ser uma escola fechada e elitista”. Por sua vocação, a Escola Católica “é uma escola de todas e para todos” – finaliza D. António Marcelino

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