Os presos mantêm a sua dignidade, recorda Santa Sé

A prisão tem por objectivo a recuperação dos detidos, recorda uma mensagem enviada esta segunda-feira por um representante da Santa Sé ao Congresso da Comissão Internacional de Pastoral Católica que decorre em Dublin. Na carta, o arcebispo Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz sublinha os princípios do ensino da Igreja sobre as pessoas encarceradas, em particular, “a dignidade inalienável de qualquer pessoa humana, ainda que tenha ficado manchada por um grave delito.” Por este motivo, o prelado italiano recorda, também, o respeito do Estado de Direito como garantia para quem se encontra na cadeia e “a necessária equidade nas investigações da polícia, dos procedimentos judiciais, assim como das penas de detenção.” A mensagem dirigida aos capelães católicos das prisões foi lida perante os mais de duzentos participantes do Congresso, procedentes de 140 países, pelo secretário do Conselho Pontifício Justiça e Paz, o bispo Gian Paolo Crepaldi, segundo informou a Rádio Vaticano. O arcebispo Martino confessa sua decepção ao constatar que foi praticamente esquecido o apelo que João Paulo II lançou por ocasião do grande Jubileu do ano 2000, e repetiu depois em várias ocasiões, «a pedir um sinal de clemência em benefício de todos os detidos». Por último, o responsável da Santa Sé confirma a sua clara oposição à privatização na gestão das prisões, adoptada ou estudada por alguns Estados. «É necessário evitar que uma posição semelhante possa reduzir a pena de detenção a um serviço dominado pela lógica de lucro. Qualquer reforma deve ter presente que a prioridade neste campo continua a ser o respeito absoluto da dignidade da pessoa condenada e a sua recuperação na sociedade”, explica.

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