Os povos dos Grandes Lagos querem a paz

Cardeal Martino diz que é importante «combater as causas da guerra» As questões da paz, segurança, democracia e desenvolvimento juntaram mais uma vez as Conferências Episcopais da região dos Grandes Lagos. Os Bispos católicos da República Democrática do Congo, Ruanda e Burndi, que constituem a Associação de Conferências Episcopais da África Central (ACEAC), estiveram reunidos em Kinshasa (capital da RDC) de 5 a 7 de Julho. “Por que continuar a causar tanto mal ao próximo, ao próprio vizinho?” Esta pergunta de D. Simon Ntamwana, Arcebispo de Gitega (Burundi), pode resumir o sentido da Assembleia ACEAC. “Devemos encorajar os grupos que combatem e que ameaçam a paz na região a sentarem-se à mesa das negociações, para que se coloque fim à violência de uma vez por todas”, afirmou D. Ntamwana, vice-presidente da ACEAC. Os Bispos dos três países manifestaram o seu compromisso em ajudar o processo de paz na região, oferecendo a sua contribuição à conferência para a paz regional, que será realizada em Novembro deste ano. Segundo D. Laurent Monsengwo Pasinya, Arcebispo de Kisangani e Presidente da Conferência Episcopal Congolesa, as guerras que afligem a região não são desejo dos povos: “a guerra foi instrumentalizada por certas pessoas interessadas somente no poder. Não existe uma guerra entre os povos do Congo, Ruanda e Burundi”. Presente no encontro esteve o cardeal Renato Raffaele Martino, presidente do Conselho Pontifício para a Justiça e a Paz, que pediu aos bispos do Congo, Ruanda e Burundi que se interroguem sobre a missão social da Igreja hoje e o seu papel nos Grandes Lagos, uma região de África devastada pelos conflitos, violência e dramas humanitários. “A Igreja tem direito a expressar-se sobre a política e outros temas da vida porque é mãe, educadora e especialista em humanidade”, esclareceu o cardeal ao participar nos trabalhos da assembleia plenária da ACEAC. “É importante combater as causas da guerra”, alertou D. Martino, sublinhando a necessidade de lutar contra a “pobreza e miséria do povo, a idolatria da etnia e todo o tipo de extremismo, conflitos e interesses económicos, corrupção e má gestão pública, perda da identidade espiritual e dos pontos de referência éticos”. Face a este panorama, o cardeal Martino convidou os bispos africanos a criar “um observatório social para aprofundar os problemas do continente”, e lembrou a importância da ONU, do Conselho de Segurança, da União Europeia e de outras organizações internacionais na resolução destes problemas.

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