Os «novos pobres» do Vale do Ave

Cáritas de Braga procura soluções para minorar os problemas No Vale do Ave, onde bate o coração da indústria têxtil e de vestuário, o cenário poderá entrar num estado desolador. Nesta parcela da diocese de Braga, “e não só”, os problemas têm tendência a sofrer agravamento. “A concorrência da Indústria chinesa, mesmo na cidade de Braga, já se faz sentir” – referiu à Agência ECCLESIA o Pe. António Luis, director do Secretariado diocesano Sócio-Caritativo. E avança: “os armazéns dos chineses são autênticos colossos”. Perante esta situação, o comércio tradicional “sofre imenso”. Devido a este tipo de concorrência, muitos paroquianos “já lamentaram que este ano não venderam metade”. O horizonte está coalhado de nuvens negras mas “nós esperamos que, a partir de 1 de Janeiro de 2005 – data da abolição das quotas têxteis – não continue a fuga aos impostos e haja normas e leis” que fiscalizem estes comerciantes. As pessoas estão “muito preocupadas” – disse o Pe. António Luis. Em Guimarães, a taxa de desemprego é o dobro da média nacional e continua a galopar muito mais rápido do que no resto do país. “Esta é a zona mais afectada” – frisou. Perante este cenário, muitas famílias mendigam uma sopa diária e, “infelizmente”, a Cáritas diocesana “só tem um refeitório social na cidade de Braga”. Uma situação difícil mas as conferências vicentinas, centros sociais paroquiais e a pastoral operária “estão atentas” – sublinhou o director. As grandes apostas para 2005 passam pela “criação de estruturas arciprestais” que devidamente coordenadas possam ajudar estas pessoas. Actualmente, só na cidade de Braga estão “a passar pela Cáritas cerca de 800 famílias mensalmente”.

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