A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) escolheu novos presidentes para as suas comissões episcopais durante a Assembleia plenária do organismo, a qual se realizou no passado mês de Abril. Em declarações à Agência ECCLESIA, os Bispos explicam os caminhos a seguir no triénio 2005-2008. A 23 de Junho tem lugar uma Assembleia Plenária extraordinária da CEP, na qual as Comissões Episcopais, entretanto formadas, serão apresentadas e iniciarão funções após homologação. Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais “O desafio agora é o de continuar o trabalho que cada uma das comissões desempenhava, mas dando-lhe uma unidade, para que a comissão funcione no singular e não seja apenas a junção de três trabalhos separados como se faziam até aqui. Vamos ver se conseguimos fazer de maneira mais interligada o que se fazia de maneira mais específica em três comissões distintas. O trabalho que se fazia no âmbito da comissão das Comunicações Sociais com a comissão de consultores, que considero notável, será continuado e alargado, com contributos de pessoas das diversas áreas, em geral leigos, que são a seiva da actividade permanente da própria Comissão”. D. Manuel Clemente Doutrina da Fé e Ecumenismo “O nosso trabalho passa pela promoção e o anúncio da fé no mundo de hoje, face às dificuldades e desafios que se apresentam. Um outro aspecto é a vivência e a promoção do ecumenismo entre nós. O facto de se acrescentar a palavra ecumenismo ao nome da Comissão é relevante, porque se já estava enquadrado desta comissão, não o estava implicitamente. Assim se mostra o empenho da Conferencia Episcopal em dar a devida importância à dimensão ecuménica que é uma dimensão de futuro: o futuro da Igreja e das Igrejas será o ecumenismo”. D. António Marto Educação Cristã “Assumo esta missão com a consciência de que esta comissão vai exigir um trabalho de grande responsabilidade e vastidão. Irei procurar trabalhar na continuidade da comissão anterior, com uma incidência especial na elaboração da revisão dos actuais catecismos, programas de Educação Moral e Religiosa Católica e respectivos materiais pedagógicos de apoio. Temos ainda de procurar continuar o desenvolvimento de outros sectores, como a Escola Católica e a Catequese de adultos. Tudo o mais que a comissão possa realizar vai depender do ideário que a caracteriza, por um lado, e por outro da criatividade da comissão e do grupo de trabalho que já está em campo, o Secretariado Nacional”. D. Tomaz Silva Nunes Laicado e Família “Esta missão, para mim, significa continuar a servir a Igreja, assumindo a missão que a Conferência Episcopal me confia, a partir de agora numa área mais alargada, porque integrando também aquilo que diria respeito à antiga comissão episcopal da família. Não se trata, apenas, de mudar o nome da comissão, mas de dar-lhe uma dimensão e uma responsabilidade maior, dada a importância do laicado, da família e de tudo aquilo que lhes diz respeito. A Comissão episcopal não é uma pessoa, mas uma equipa, e como tal procuraremos trabalhar para responder em conjunto àquilo que a Igreja espera de nós. Temos responsabilidade de Bispos, mas os leigos e as famílias têm connosco as suas responsabilidades próprias”. D. António Carrilho Liturgia “Continuo esta missão com um maior conhecimento do que é o âmbito da comissão, sabendo o que ela é e o que pode fazer. É óbvio que agora vamos procurar novos dinamismos, ver se é possível alargar aquilo que temos feito, dado que a nossa comissão tem um papel muito difícil, que é o de estar atenta aos rituais de todos os Sacramentos, à sua tradução, à sua adaptação. Com a ajuda dos vários secretariados, gostaríamos de enfrentar outras questões na Liturgia, nas suas dimensões essenciais, com dinamismos novos. A verdade é que o trabalho é muito, temos novas introduções, novos rituais, traduções com as quais a Santa Sé tem sido muito exigente”. D. António Bessa Taipa Missões “Continuo com a mesma disponibilidade, no sentido de animar a dimensão missionária da Igreja em Portugal, ajudado pelas Obras Missionárias Pontifícias e os Institutos Missionários ‘ad Gentes’, sobretudo os presentes no Conselho Nacional das Missões, que se reúne duas vezes por ano. Na comissão irei contar com dois Bispos missionários, que dedicaram uma grande parte da sua vida à missão ‘ad Gentes’, o que é uma riqueza muito grande. Temos algumas propostas que iremos apresentar ao Conselho Permanente da CEP, como a realização de um Congresso Missionário”. D. Manuel Quintas Mobilidade Humana “Desde que acedemos ao chamamento de servir à Igreja estamos a ser chamados, sempre, e é nessa atitude que assumo este serviço. Tenho de estudar as respostas que já foram dadas e quais as possibilidades de mudança para responder a problemas antigos e aos novos, sobretudo aos da imigração, para os quais ainda não há uma resposta estruturada. A nova denominação de Mobilidade Humana abarca, no fundo, quatro sectores diferentes, e é muito lato: o turismo, as migrações, a pastoral dos ciganos – que eu chamaria “dos nómadas”, e o Apostolado do Mar. As migrações, que dizem respeito a todos, tocam-me particularmente porque estive 10 anos no estrangeiro, e será o sector onde me sinto mais à vontade para encontrar novas soluções”. D. António Vitalino Pastoral Social “Permaneço disponível para responder àquilo que a Igreja me pede”. D. José Sanches Alves A CEP aprovou na assembleia plenária de Abril passado uma carta de “Princípios e Orientações da Acção Social e Caritativa da Igreja”, na qual destaca o papel das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) ligadas à Igreja e exige ao Estado respeito pela especificidade da acção destas organizações. Para além das IPSS, a actividade da Igreja passa, em larga medida, pela Cáritas Portuguesa, instância oficial da Igreja para a promoção da sua acção social, na assistência em situações de emergência ou dependência, na promoção da autonomia e do desenvolvimento integral de cada ser humano. Vocações e Ministérios “Assumo uma perspectiva integrada em toda a restruturação de todas as comissões episcopais, procurando uma articulação com todas as outras comissões, para as tornar mais eficientes e responder às expectativas destes novos tempos. Em relação às vocações parto numa perspectiva de esperança, vencendo a ideia de que atravessamos uma hora de crise. Quero trabalhar com muita perseverança, para valorizar o trabalho dos pré-seminários, da pastoral das vocações e o trabalho entre as Dioceses. as Congregações Religiosas e os Institutos Seculares. A nova perspectiva, que se abre com a mudança de nome da Comissão, é algo que nos abre para um trabalho articulado na pastoral das vocações: a vocação é um dom de Deus, um serviço à Igreja e um assumir de responsabilidades”. D. António Francisco dos Santos
