Os jovens no caminho do ecumenismo

A grande referência para a prática do diálogo ecuménico entre nós continua a ser a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que se celebra anualmente de 18 a 25 de Janeiro, embora outras iniciativas estejam a ser tomadas e levadas a cabo. O Movimento Ecuménico é hoje um dado adquirido para os cristãos em geral. Afirmou-se primeiro fora da Igreja Católica, mas desde o Vaticano II que os católicos se encontram também empenhados, a todos os níveis, em promover a unidade visível entre todos os cristãos. Dentro destes esforços há a destacar a actividade ecuménica dos jovens, congregadora em particular de quatro Igrejas: a Católica, a Lusitana, a Metodista e a Presbiteriana. “Ecumenismo – desafios para os jovens cristãos” – foi o lema do I Fórum Ecuménico Jovem que se realizou no seminário de Leiria e reuniu pela primeira vez os líderes dessas quatro Igrejas cristãs; o II Fórum Ecuménico Jovem (FEJ 2000) teve lugar no Instituto Português da Juventude, em Lisboa, no dia 14 de Outubro. ‘Felizes os que constróem a Paz’ foi o tema mobilizador dos cerca de 200 delegados; o III Fórum Ecuménico Jovem (FEJ 2001) congregou cerca de 200 jovens no Seminário dos Redentoristas em Vila Nova de Gaia, sob o lema “Uma Cultura de Serviço”; o último encontro do género realizou-se no Seminário Maior de Coimbra a 9 de Novembro passado, com o tema “Chamados à comunhão”. O Pe. Tony Neves tem acompanhado de bem perto todas estas iniciativas e explica que elas nasceram “da necessidade de se concretizar o dinamismo surgido da II Assembleia Ecuménica Europeia, que decorreu em Graz, no ano de 1997”. O caminho que se tem percorrido em conjunto, “porque é essencialmente de um caminho que tudo se trata”, tem ocupado temáticas e zonas geográficas diferentes “para se chegar ao maior número possível de jovens”, sobretudo aos que têm uma maior formação pastoral e caminhada espiritual. A organização destas iniciativas está a cargo de uma equipa ecuménica, de que faz parte o nosso entrevistado, que reúne 4 vezes ao ano para assegurar, pelo menos, três momentos de celebração e reflexão ecuménica, na consciência de que “as grandes causas são pertença de todos e o tempo das arrogâncias absolutistas está definitivamente enterrado”. Embora o FEJ seja o momento mais destacado de toda esta actividade, convém referir as iniciativas locais por ocasião do oitavário de oração pela unidade dos cristãos (dia 24 haverá vigílias em Lisboa, Porto e Braga) e, sobretudo, as outras frentes que os FEJ’s abriram: a da Oração Ecuménica Jovem e a dos Campos de Trabalho Ecuménico, como foi o caso da Peregrinação ecuménica a Taizé, em 2002, os retiros da equipa ecuménica jovem e uma experiência de trabalho na Casa de Saúde do Telhal, no verão de 2001. Para o Pe. Tony Neves, o dinamismo da dimensão ecuménica na vivência dos jovens tem a ver com “a maior capacidade dos jovens em adaptar-se a ideias novas e ao ambiente de pluralidade religiosa em que têm crescido”. O “planeta jovem”, como gosta de dizer, “junta-se à volta da figura de Cristo sem preconceitos, conscientes dos desafios que a questão da unidade coloca”.

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