É um homem «consensual» e gosta de «trabalhar em equipa», referimo-nos ao Pe. Augusto Cabral, novo director do Secretariado Nacional da Educação Cristã, que dá a conhecer à Agência ECCLESIA os novos projectos da Educação Cristã. Agência ECCLESIA (AE) – Quais os grandes projectos ao nível da Educação Cristã? Pe. Augusto Cabral (AC) – Tomei posse dia 16 de Setembro e o grande projecto que tenho passa pela continuação do trabalho dos meus antecessores. Apesar de reconhecer que há muito para fazer. AE – Como por exemplo? AC – Tentar que a catequese, a diversos níveis, seja ainda mais motivadora, evangelizadora e acolhedora. Uma tarefa nada fácil. AE – Essa preocupação está relacionada com a revisão dos catecismos? AC – Esse é um dos problemas. Ao nível da catequese temos que pensar em investir: em catecismos e em pessoas. AE – Esse investimento nas pessoas tem sido esquecido? AC – Não, basta ver os cursos de formação que foram feitos. Mas devemos continuar. Por outro lado, e ao nível da problemática da pastoral escolar, temos que contar com situações políticas que, muitas vezes, não são muito acolhedoras. AE – Então podemos dizer que o Pe. Augusto Cabral que está no meio entre a política e as bases cristãs? AC – Tenho consciência disso mas irei defender, com unhas e dentes, os valores cristãos. Se o valor político é um valor importante tal como o social e o cultural, o valor religioso também o é. AE – Mas, muitas vezes, o valor religioso é esquecido intencionalmente. AC – É verdade. Esquecido intencionalmente para dar lugar a outros valores. Não podemos é admitir que este valor não tenha lugar. AE – Nesse aspecto não podemos esquecer o passagem, ao nível do 1º ciclo, das aulas de EMRC para a 26ª hora. AC – Estão a complicar um problema mas nós percebemos o que eles querem. Pretendem colocar o valor religioso num patamar inferior. Em vez de acolherem, toleram… AE – Mas no ponto de vista teórico ele é considerado importante? AC – É um problema entre a teoria e a prática. E dou um exemplo: há políticos que são sumidades a falar e depois na prática… AE – Isso também acontece no Ministério da Educação? AC – Acontece em todos os ministérios. Mas a prioridade passa pelo caminho dos consensos. AE – É um homem consensual? AC – Considero-me como tal. Para mim, a relação humana é a maior arma e o maior instrumento de trabalho que a pessoa tem. AE – Então é um apologista do trabalho em equipa? AC – É um dos meus objectivos. AE – A Nota da Comissão Episcopal da Educação Cristã para a Semana da Educação Cristã refere que os cristãos «faltam com demasiada facilidade à Missa Dominical». O que falha ou falhou para tal acontecer? AC – Ou a desmotivação ou o ensino religioso não funcionou. AE – Sendo natural do arquipélago dos Açores está preparado para enfrentar as novas realidades juvenis de Portugal continental? AC – Apesar de viver nos Açores acompanhava as realidades. Estive até em vários secretariados diocesanos. AE – Só com uma boa educação cristã a realidade sombria das vocações sacerdotais poderá ser ultrapassada. AC – Irei tentar, com a minha equipa, construir uma boa educação cristã. E digo mais: na medida em que a fé cristã e a vida cristã sobe as vocações aumentam.
