Nos dias que se seguiram ao final da II Guerra Mundial, alguns padres da Igreja Católica em França optaram por trabalhar ao lado dos trabalhadores com os mesmos horários, a mesma condição, os mesmos salários inventando um novo modo de ser padre no mundo. Pouco depois, em 1954, a Santa Sé proibia de forma intransigente e violenta uma das mais notáveis experiências que a Igreja viveu no diálogo com o mundo do trabalho. O Vaticano teve medo e considerou que a condição operária não era compatível com o estado de vida de um padre. A comissão episcopal francesa para a missão e o mundo operário assinalou este 50º aniversário com uma declaração onde confessa que “tal decisão provocou feridas graves na vida de pessoas preocupadas e significou um rude golpe no anúncio do Evangelho no mundo operário”. De facto, embora depois do Concílio Vaticano II se tenha autorizado novamente esta forma de viver a vida sacerdotal (1965), a recordação da proibição de 1954 continua a ser “dolorosa”, como reconheceram os bispos franceses. O director da Obra Católica Portuguesa de Migrações, Pe. Rui Pedro, assinala num artigo escrito a respeito desta data que “os 500 padres operários que existem, com a sua fidelidade ao Evangelho e à dignificação do Trabalho, com sua presença missionária fora dos templos, com o testemunho de subsistir sem pesar à comunidade, com a sua sobriedade de vida e sua dimensão social e política da fé permanecem para mim um apelo e um questionamento ao meu viver sacerdotal entre os trabalhadores migrantes”. Para este responsável católico, a experiência dos padres operários deve levar a Igreja portuguesa a repensar “o tipo de presença que desenvolve junto dos pescadores e marítimos do Litoral e Ilhas, dos operários têxteis das Empresas a falir do Vale do Ave, dos lavradores do Alentejo e do Interior profundo, das trabalhadores domésticas, dos trabalhadores imigrantes e dos trabalhadores temporários portugueses pelo mundo”. Notícias relacionadas • Aquele 1º de Março de 1954 … há 50 anos.
