As Instituições Católicas que lidam mais de perto com a situação no Sudão exigem que o Governo local cumpra a resolução da ONU e desarme as milícias árabes responsáveis pela maior crise humanitária da actualidade. O Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) explica que na região ocidental do Darfur não é possível às organizações humanitárias das assistência aos mais de 1,2 milhões de deslocados. “O Governo tem obrigação de garantir a segurança de todos e se falhar nesta missão, a comunidade internacional deve estar preparada para intervir directamente e assegurar a protecção da população civil e da linha de assistência humanitária”, refere um depoimento do JRS. Por seu turno, as organizações cristãs de assistência e solidariedade “Action by Churches together International” (ACT) e “Caritas Internationalis” uniram forças numa resposta ecuménica conjunta à actual emergência humanitária na província sudanesa de Darfur. A situação no Dafur, é cada vez mais crítica os deslocados, expulsos das suas terras por milícias árabes contratadas pelo governo sudanês, em luta contra os movimentos rebeldes que exigem a autonomia da região. Um novo programa foi lançado pela Resposta de Emergência Conjunta (ACDER) das duas organizações, procurando-se construir instalações onde seja possível prestar assistência médica e outros cuidados sanitários. A ACDER garante ainda unidades móveis de apoio, para chegar a todos os campos de refugiados – espalhados por um território duas vezes superior ao da França – e às áreas mais remotas. A ONU denunciou que as tropas sudanesas continuam a intimidar os deslocados com actos de violência, para os obrigar a regressar às suas casas. Os funcionários das Nações Unidas garantem, também, que no Sul da região, tem havido novos confrontos entre os rebeldes e as tropas do Governo, apesar do cessar-fogo. A ajuda aos deslocados chega dos céus pelos aviões do Programa Alimentar Mundial. “A ajuda vai chegar a mais de 70 mil desalojados e residentes do Darfur que ficaram privados de ajuda por causa da época das chuvas e do clima de insegurança”, anunciou Fred Eckart, porta-voz do Secretário-geral da ONU. A União Africana poderá enviar para a região do Darfur um reforço militar a juntar ao contingente já presente o território. O texto da ONU sobre Darfur não coloca a hipótese de uma intervenção militar no Sudão, mas exige que o Governo de Cartum neutralize as milícias árabes, proteja as populações negras, e puna os responsáveis pelas atrocidades que já terão feito entre 30 e 50 mil mortos e mais de um milhão de deslocados.
