A Assembleia anual das Obras Missionárias Pontifícias (OMP), que está a decorrer em Roma, encontra-se a definir os fundos a atribuir aos milhares de projectos de missionação que lhe são apresentados por dioceses de todo o mundo. A Igreja Católica confia às obras da Propagação da Fé, Infância Missionária, São Pedro Apóstolo e União Missionária a responsabilidade de alertar os católicos para a necessidade de ir ao encontro dos que não conhecem o Evangelho de Jesus. Os 117 directores nacionais, ontem recebidos pelo Papa, são os responsáveis pela recolha dos fundos, posteriormente enviados para o Secretariado Internacional de Roma das OMP. A partir deste montante, e de acordo com projectos a nível mundial que são dirigidos para Roma, o Secretariado Internacional prepara uma resposta a esses projectos, em função do dinheiro existente. Os números não são públicos, mas chegam às dezenas de milhões de dólares. “Neste momento estamos a distribuir grande parte desse montante para a Obra da Propagação da Fé, em projectos de ajuda aos missionários em África e em todos os outros continentes”, explica à Agência ECCLESIA o Pe. Durães Barbosa, director nacional das OMP. Hoje decorreu a aprovação para os projectos destinados à Obra da Santa Infância, a que se seguirão os da Obra de São Pedro, para a formação do clero e religiosos. Todos os projectos apoiados são de âmbito religioso: construção de igrejas, seminários, ajudas directas aos missionários, tudo o que este directamente à missão de evangelização. “Tudo o que aqui distribuímos tem de ter um carácter missionário e contribuir para o desenvolvimento do trabalho de evangelização, no mundo”, refere o director nacional das OMP. O Pe. Fernando Galbiati, secretário-geral das OMP, referiu à agência do Vaticano paras as missões que “com base em tais pedidos, documentados e aprovados pelos respectivos Bispos, são distribuídos os fundos colectados durante o ano, seja pelas direcções nacionais, seja pelas direcções diocesanas das OMP, que confluem no fundo central de solidariedade. Tal distribuição é feita de maneira mais justa possível, para oferecer, assim, a cada missão, ajudas adequadas às próprias necessidades”. O Pe. Galbiati apresentou ainda o relatório anual da Obra para a Propagação da Fé, “que contribui de modo decisivo para o mundo missionário e para a animação missionária através da oração e da oferta material”, assinalando o número de pedidos de ajuda que todos os anos chegam ao Secretariado Geral: entre 7 mil e 8 mil. Já se anunciou que em 2005 a Assembleia anual das OMP será celebrada em Lyon (França) de 4 a 13 de Maio, por ocasião inauguração da casa dedicada a Pauline Marie Jaricot, fundadora da Obra Pontifícia da Propagação da Fé. Portugal na linha da frente A troca de impressões com os responsáveis pelas OMP de outros países permite ao Pe. Durães Barbosa afirmar que o nosso país está na linha da frente da missionação. “Existe sintonia entre o que se passa em Portugal e o resto do mundo”, assegura. Este responsável afirma claramente que “o espírito missionário não está a decrescer”, mas não deixa de admitir que “é preciso fazer com que aquilo que está adormecido se actualize nos tempos de hoje”. Esse processo de actualização passa por um plano missionário que está a ser colocado em prática, começando pelo Simpósio sobre a missionação, a ter lugar em Junho. “Este programa quer reavivar o espírito missionário que está na alma do povo, mas que por vezes está adormecido naqueles que têm mais responsabilidades: os trabalhos e desafios que os preocupam fazem com que esqueçam o mais elementar, que é o facto de a Igreja ser missionária por natureza”, aponta o Pe. Durães Barbosa, que é também o secretário da Comissão episcopal das missões.
