O trabalho com os jovens em risco depois do escândalo da pedofilia

Lar Juvenil dos Carvalhos pretende assumir-se como um sinal do que devem ser as Instituições de acolhimento e educação de crianças e jovens O Lar Juvenil dos Carvalhos, inaugurado publicamente no início deste mês, pretende assumir-se como um sinal do que devem ser as Instituições de acolhimento e educação de crianças e jovens, afastando as nuvens negras criadas pelos escândalo da pedofilia que a elas são associadas. As situações negativas que marcam a actualidade do país não podem criar um estigma sobre as Instituições de Solidariedade Social, “como se os responsáveis por este trabalho fossem criminosos”, lamenta o Director do Lar juvenil, Pe. Marçal da Silva Pereira “Sentimo-nos ofendidos porque é posto em causa o trabalho de muitas pessoas que são um sinal de dedicação para com aqueles que precisam. Queremos ser um sinal e um apelo para as novas maneiras de trabalhar com estas crianças e jovens”, assegura. Este equipamento social, com 150 alunos, cedido pela Assembleia Distrital do Porto, foi financiado pelo Ministério da Segurança Social e do Trabalho, e a sua gestão atribuída à Província Portuguesa dos Missionários Claretianos, através da Fundação Claret. “Segundo me dizem, há mais de 50 anos que não se construía uma casa de raiz com este objectivo”, afirma o director, para explicar que “com remendos não se soluciona nada”. O Pe. Marçal lembra que o Estado não tem vocação para gerir casas de educação e de acolhimento de jovens e pede “os apoios necessários para que instituições com créditos firmados nos campos educativos possam desempenhar, juntamente coma colaboração da sociedade civil, as tarefas de promoção humana de que carece uma parte importante da nossa juventude”. Na opinião deste responsável, é fundamental que se dêem novas estruturas, encerrando as casas sem condições e apelando ao trabalho voluntário. Nesse sentido uma equipa de educadores, liderada pelos Missionários Claretianos, ajuda as crianças, adolescentes e jovens a crescer em todas as dimensões: nos planos físico, afectivo, cristão, humano e intelectual. A equipa está distribuída por grupos de 15 pessoas que, ao longo do dia, têm o apoio de 2 funcionários até às 20h30. “A partir desta hora o trabalho é feito por voluntários, responsáveis por um grupo no Lar, que os acompanham durante a noite”, explica o director. A escolha dos voluntários, ligados aos Claretianos, parte de antigos seminaristas e de jovens que chegam ao Porto para estudar ,“cujas famílias conhecemos da nossa acção missionária”, refere o Pe. Marçal. “Nós ajudamo-los e eles ajudam quem precisa mais”, acrescenta. Cada um dos voluntários dá pelo menos 3 horas de trabalho por dia, havendo um “staff” de apoio aos alunos na organização de jogos, exibição de filmes, eventuais idas ao Hospital, etc. HISTÓRIA O espaço do Lar juvenil dos Carvalhos está fortemente ligado à Diocese do Porto, visto que ali funcionou até 1910 o “Seminário Maior da Senhora do Rosário” dos Carvalhos, pertença da mesma. Passando para o domínio do Estado em 1911, foi sucessivamente colónia agrícola, Escola de Artes e Ofícios da Assembleia Distrital do Porto. Passa agora, por cedência da mesma Junta Distrital para lar Juvenil, gerido e orientado pela Fundação Claret dos Padres Claretianos, que naquela localidade possuem já as sua Casa, o seu seminário e o Colégio dos Carvalhos. Em 1985 a Assembleia Distrital do Porto que geria a “Colónia dos Carvalhos” entrou em crise e os vizinhos Claretianos aceitaram o pedido de intervenção nesta casa, feita pelo Governo Civil. Mais tarde surgiu um acordo com o centro regional de Segurança Social e em 1986 a orientação da casa, então com 85 alunos e 80 funcionários, passou a pertencer aos religiosos. A criação do Lar Juvenil dos Carvalhos em substituição da “Colónia” marca o início de uma nova estrutura, que deve muito ao esforço do Pe. Marçal. “Como não tinha experiência nesta área fui a Milão, conhecer casas do género e inspirar-me porque em Portugal não havia ideias com muito interesse”, recorda à Ecclesia. As condições da casa, antiga e degradada, levaram a uma luta por novas estruturas ao longo de muitos anos, até ter sido proposta a reconstrução e remodelação da casa velha para 90 alunos. “Nessa altura já tínhamos 130 alunos e a reconstrução ficava por 550 mil contos, pelo que se achou por bem fazer um projecto para a casa nova, que fornecesse um ambiente familiar e acolhedor”, relata o Pe. Marçal. Em 1999 foi apresentado o projecto em causa e a entrada no novo milénio foi o impulso final para o surgimento de uma instituição nova, “sinal positivo” e não um remendo.

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