Nascida há quase 50 anos, a obra continua a cativar novos públicos. Um trabalho profundamente Depois de um ano de espera e ansiedade, estreia hoje nas salas portuguesas o último episódio da saga «O Senhor dos Anéis». «O Regresso do Rei» é o ponto alto da aventura que prende cinéfilos e admiradores ao grande ecrã há três anos para seguir a adaptação para cinema da obra de J.R.R. Tolkien, assinada pelo realizador Peter Jackson. Aqueles que se juntarem aos milhões que já viram as duas apresentações anteriores terão oportunidade de confrontar-se com uma obra que o próprio Tolkien classficou de “profundamente religiosa e católica”. Não estão em questão as já famosas interpretações “cristãs” da obra, que fazem do “anel” uma cruz a ser carregada pela salvação do mundo ou apresentam qualidades bíblicas nas personagens (Gandalf como profeta, Galadriel como Nossa Senhora ou “lembas” – pão para o caminho – como a Eucaristia), algo que o autor não aceitava. Para ele a obra não era uma alegoria do Evangelho: “o Senhor dos anéis foi fundamentalmente um trabalho religioso e católico, mas a alegoria desagrada-me em todas as suas manifestações”. Portanto, não vale a pena procurar “intenções oculta” na mensagem de Tolkien, nesse fantástico mundo de hobbits, reis, senhores do mal, elfos, com terras e línguas novas perfeitamente estruturadas. A grandeza da história está em colocar-nos perante os mesmos desafios da vida quotidiana. Em Minas Tirith, em Édoras, em Isengard podem-se encontrar tanto o homem bom como a corrupção, a traição e a fidelidade, a ganância e a entrega até à morte, as formas totalmente diferentes de exercer o poder de Gandalf e Saruman. A grande saga sobre a eterna luta entre o bem e o mal coloca assim perante o espectador a pergunta sobre se o bem e o mal podem existir numa mesma pessoa ou dentro da mesma sociedade. O filme será hoje, para quem o quiser perceber, um relato épico situado num mundo fantástico, onde se fala da sobrevivência a um opressor e da luta do bem para triunfar definitivamente.
