O projecto educativo do Padre Américo continua válido

Ernesto Candeias Martins publica obra sobre esta personalidade da Igreja e da sociedade portuguesas no século XX A validade do projecto educativo do Padre Américo, quase 50 anos depois da sua morte, levou o Professor Ernesto Candeias Martins a abalançar-se sobre a obra e pensamento do fundador do “Gaiato”. “Os objectivos mantêm-se, independentemente das estruturas e da organização que cada instituição tem: fazer de cada rapaz um homem continua a estar presente” revela à Agência ECCLESIA Ernesto Candeias Martins, autor do livro “O Projecto Educativo do Padre Américo. O Ambiente na Educação do Rapaz”. Nesta obra, Ernesto Candeias Martins procura mostrar a “estratégia de educação e formação” que o fundador do Gaiato idealizou. “O caso do Padre Américo é o de um plano educacional muito intuitivo, de fazer ao mesmo tempo que pensava e corrigia aquilo que era menos adaptado às exigências dos rapazes”, afirma. O legado do Padre Américo é uma referência para todos os que se dedicam à educação, mormente numa altura em que o trabalho com os jovens em risco está seriamente afectado depois do escândalo da pedofilia e a opinião pública tende a estigmatizar as Instituições de Solidariedade Social. “Este projecto é um projecto de transformação, mas em moldes diferentes de outros. O ambiente que existe nas Casas do Gaiato, com uma envolvência da natureza, e o convívio entre os rapazes de várias procedências dá resposta a pessoas que têm as mesmas necessidades e oferecem-lhes uma luz, que é um projecto de vida”, frisa Candeias Martins. “Os rapazes não são os mesmos da década de 40/50, há uma maior exigência, mas não se abdica dos fundamentos do Padre Américo”, assinala O especialista destaca a “liberdade responsável” e a “autogestão” que marca a Obra do Padre Américo. “As críticas que hoje apontamos a muitas destas instituições não nos devem fazer esquecer que para compreender o Gaiato é preciso é ir às obras e conhecê-las”, diz. Considerando o projecto como uma “grande inovação” no século XX, em Portugal, Candeias Martins escreve na sua obra sobre a “filosofia do comando” no Gaiato: “cada qual escolhe o seu chefe, aquele que julgam ser mais capaz de os orientar, e essa metodologia leva a que os rapazes vão, de forma assumida, disciplinado-se, em liberdade”. “Nas Casas do Gaiato, tudo é partilhado, cada um estabelece as suas metas e pode seguir o seu destino profissional, pessoal e social”, insiste. O livro de Ernesto Candeias Martins será lançado amanhã, 5 de Novembro, pelas 17h00 na Casa do Gaiato de Lisboa, situada no Palácio dos Arcebispos, em Santo Antão do Tojal, com apresentação do Prof. Antoni Colom Cañellas. A sessão contará com a presença do Presidente da República, Jorge Sampaio, e do Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo. Terá ainda a colaboração dos rapazes da Casa do Gaiato e será seguida de uma visita às instalações da quinta de Santo Antão do Tojal. Dados Biográficos Ernesto Candeias Martins é licenciado em Filosofia e Letras e em Ciências da Educação, Mestre em Educação e Doutor em Teoria e História da Educação, com uma tese sobre o Padre Américo. Tem uma ampla formação pedagógica, sendo autor, co-autor ou colaborador em obras educativas e possui um extenso número de artigos publicados em revistas da especialidade. As suas linhas de especialização são a filosofia e a teoria da educação, história da educação, educação não-formal, estudos sobre a criança abandonada e marginalizada, pedagogia social, instituições de reeducação, formação de professores, etc. É membro de sociedades e associações de ciências da educação nacionais e internacionais. É docente do Instituto Politécnico de Castelo Branco desde 1988 e exerce actualmente o cargo de subdirector da Escola Superior de Educação. Casas do Gaiato As Casas do Gaiato nasceram da intuição da necessidade sentida por Padre Américo Monteiro de Aguiar, visitador dos pobres e dos bairros degradados. A finalidade de cada Casa do Gaiato é acolher, educar e integrar na sociedade crianças e jovens que, por qualquer motivo, se viram privados de meio familiar normal. No dizer do fundador, P. Américo Monteiro de Aguiar, ” somos a família para os que não têm família”. A população média de cada Casa do Gaiato é de 150 rapazes distribuídos pelas diferentes idades desde o nascimento até cerca dos 25 anos. São Instituições totalmente particulares vivendo dia a dia o risco evangélico da solidariedade humana. A instituição aceita voluntariado a tempo inteiro e também a tempo parcial. Neste caso pede-se que sejam pessoas totalmente disponíveis para as crianças e jovens, com sentido de maternidade e paternidade. As actividades de cada casa são sempre orientadas para a realização dos fins em vista proporcionando aquilo que é melhor para o desenvolvimento de cada rapaz: saúde, alimentação, estudos, formação profissional, emprego, férias, tempos livres e cultura. Há 5 casas em Portugal continental (Coimbra, Porto, Lisboa, Beire e Setúbal), 2 em Angola (Benguela e Malange) e 1 em Moçambique (Maputo). Princípios Os princípios pedagógicos assumidos pela Casa do Gaiato são os seguintes: 1. Regime de autogoverno: Os chefes são eleitos pela comunidade – obra de rapazes, para rapazes, pelos rapazes. 2. Liberdade e espontaneidade: ” Ninguém espere fazer homens de rapazes domados”. “Porta sempre aberta” 3. Responsabilidade: “Em nossas casas todos e cada um tem a sua responsabilidade” 4. Virtudes humanas: Solidariedade, generosidade, camaradagem, amor ao próximo “Os mais velhos cuidam dos mais novos” 5. Vida familiar: “Não somos asilo, nem reformatório, nem colónia penal. Não há nem nunca houve fardas ou uniformes. ” A família é o modelo da Obra”. 6. Ligação à natureza 7. Formação religiosa Mais informações em casadogaiato.no.sapo.pt/

Partilhar:
Scroll to Top