O papel do Seminário no futuro da Igreja

No decorrer de mais uma semana dos seminário, a frase mais utilizada nesse espaço de tempo é: «O seminário é o coração da diocese». “Um chavão muito utilizado” – disse à Agência ECCLESIA o Pe. António Felisberto, reitor do Seminário de Viseu, mas esta instituição é “mesmo o coração”. O seminário só é o coração da diocese “se as comunidades olham para ele com esperança e acodem às necessidades deste” – disse o Con. Silvério Pires, Reitor do Seminário de Bragança. E acrescenta: “por este passa o pulsar de toda a diocese sobretudo nestes tempos em que precisam de pastores”. Uma expressão com “raiz na Eucaristia. É o sacerdote que preside a este sacramento que é o coração da Igreja”. Na orgânica da Igreja o presbítero “tem um lugar determinante” apesar de todos os serviços “serem importantes” – disse o Pe. António Felisberto. O seminário é o lugar onde se faz o “último discernimento” e a “preparação última para o ministério”. As energias da diocese “devem estar voltadas para o seminário” no sentido da “sensibilização para a questão vocacional” – menciona o reitor do Seminário de Viseu. Será que este coração está com uma pulsação fraca? Perante a questão, o Pe. António Felisberto sublinha que há várias formar de olhar para «o batimento cardíaco da diocese». “No sentido humano parece-nos enfraquecido mas o nosso olhar deve estar centralizado na esperança. Não há as vocações que nós julgamos necessárias mas talvez sejam aquelas que Deus julga ser as necessárias”. No Seminário Maior de Viseu estão 44 candidatos ao sacerdócio de 4 dioceses. 17 de Viseu, 10 de Bragança, 10 de Lamego e 7 da Guarda. Um “número exíguo” para as necessidades de cada diocese mas um “grupo razoável” – completa o Reitor do Seminário de Viseu. Apesar de estarem a receber a sua formação em Viseu, o Con. Silvério Pires sublinha que o coração de Bragança “não está fora da diocese”. Este formador passa “uma semana por mês com os seminaristas” do nordeste de Portugal e estes recebem também o jornal da diocese. Por outro lado, visitam as famílias uma vez por mês. Os outros fins de semana são passados “em comunidades paroquiais”. A família e as comunidades paroquiais “devem ter no seu coração um lugar para o seminário”. “De algum modo, a acção dos seminários menores e intermédios é complementar da acção dos pais e da família” – refere o Pe. Jorge Soares, coordenador do Serviço Nacional de Vocações. Falando de toda a outra dimensão vocacional, este responsável frisa que “a família é o espaço onde essa educação e essa descoberta da vida como dom se deve ir fazendo”. A preparação pastoral é fundamental na formação dos seminaristas maiores. “A adaptação ao meio preocupou-nos e foi uma das causas que esteve subjacente à transferência dos nossos seminaristas do Porto para Viseu” – disse o Reitor do Seminário de Bragança. A equipa formadora do Seminário de Viseu têm consciência que está a formar os futuros líderes da Igreja Católica. “Uma responsabilidade acrescida na ajuda a estes formandos para que estejam comprometidos com a Igreja e, em simultâneo, comprometidos na transformação do mundo” – referiu o Pe. António Felisberto. “Estamos a formar os próximos pastores da diocese não numa linha de carreirismo mas de serviço” – completa o Con. Silvério Pires. Uma formação que tem em conta as aptidões do formando. “Procuramos que a preparação seja o mais abrangente possível em todas as áreas mas cada um deve fazer render ao máximo os seus talentos. Antigamente na aldeia mandava o padre, o professor e o médico. “O lugar deste era socialmente apetecível e admirado. Hoje é diferente. A transformação social ajudou-nos a purificar a nossa forma de estar no mundo” – finaliza o Reitor do Seminário de Viseu.

Partilhar:
Scroll to Top