O novo Bispo do Algarve

O gesto aconteceu quase no início da missa: D. Manuel Madureira Dias saiu da cátedra da Diocese – a cadeira do presidente na Sé de Faro – deu um abraço a D. Manuel Quintas e convidou-o a sentar-se. Depois, entregou-lhe o báculo e a população pode aclamar o novo Bispo da Diocese do Algarve: D. Manuel Neto Quintas. A visibilidade do rito simboliza, por um lado, a sede episcopal, onde o bispo cumpre a sua missão de ensinar (a cadeira); por outro, o báculo pastoral da diocese a missão de governar a porção do povo de Deus que se encontra na Diocese do Algarve. D. Manuel Neto Quintas não chega de novo ao Sul de Portugal. Foi auxiliar do Bispo agora emérito e reconhece que essa é uma mais valia. Mesmo assim, quer “conhecer mais para servir melhor”. Pastoral vocacional, compromisso pastoral dos leigos e atenção a quem “invade” o Algarve nos meses de verão são três vertentes do trabalho do novo Bispo. Comentou-as para a Ecclesia e, a par de outras, referiu-as na homilia de tomada de posse. O jornalista, que chega de fora, questiona primeiro por esses, os que chegam todos os anos ao Algarve e fazem a população crescer de 400 mil para perto de um milhão e meio. “Temos que ser realistas: aqueles que vêm para aqui passar férias, mesmo os mais empenhados nas suas dioceses, procuram a eucaristia dominical. Para além disso, não pedem muito mais. Esse mínimo que procuram, nós queremos dar”. Mas o Bispo da Diocese esclarece que essa não é a primeira prioridade de quem acaba de tomar posse. Será antes atender a quem está na Diocese todo o ano, nomeadamente os que mais directamente colaboram com o seu ministério. É por isso que elege a pastoral vocacional como aposta clara. “É um problema que preocupa toda a Igreja, e todas as dioceses, a nós de maneira particular. Começamos, este ano, a criar grupos vocacionais, nas paróquias, grupos de oração: pessoas que se responsabilizem por alertar toda a comunidade para este problema e estejam atentas, juntamente com os párocos, para as necessidades da Igreja e para alguém que se interrogue”. Entre os leigos, a Diocese do Algarve encontra também o assegurar de muitos serviços diocesanos. São os “mais disponíveis”. Não são “padres de segunda ou sacristães de primeira, como por vezes se diz”. D. Manuel Neto Quintas esclarece que “os leigos têm uma missão própria, por direito próprio. E é uma missão indelegável: a missão de testemunharem a sua fé no mundo”. Nascido na Diocese de Bragança, D. Manuel Neto Quintas é agora o 60º Bispo da Diocese de Faro.

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