O caso “Terri Schiavo” e a eutanásia

O caso é simples: Michael Schiavo quer que os tribunais o autorizem a matar a sua esposa Terri, paralítica e impedida de valer-se por si própria, retirando-lhe o tubo por onde é alimentada e hidratada. A condenação também é evidente: morte de sede, mais rápida que a de fome. Michael Schiavo apresentou-se na segunda-feira no programa do conhecido Larry King e referiu-se à sua esposa como “em estado de coma vegetativo”, quando na realidade sofre uma paralisia severa que a impede de valer-se por si mesma e falar. Os pais de Terri e os seus médicos sustentam que as agências de notícias e os jornais de tiragem nacional como o New York Times, Washington Post, Miami Herald e o Atlanta Journal-Constitution, estão a deturpar dados médicos do “caso Schiavo.” O pai de Terri, Robert Schindler, disse mesmo em conferência de imprensa que “os Media estão a matá-la e a matar-nos”. Para os Schindler, que se opõem ao pedido do marido, a sua primeira missão é que fique claro para a opinião pública o uso erróneo da palavra “coma” pelos jornais e outros meios na sua cobertura da batalha legal. Não se trata, neste caso, de utilizar medicação para retirar as dores de tal modo que isso venha, em segunda instância, a acelerar a morte ou provocá-la imediatamente. Trata-se de matar uma pessoa à sede e à fome, o que vier primeiro, com base numa decisão judicial, em mais um caso que permite vislumbrar os perigos que a ideia de “eutanásia” traz consigo.

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