Missão na Bolívia foi a mais complicada, revela
O Núncio Apostólico em Portugal, D. Alfio Rapisarda, assinalou ontem em Fátima os seus 25 anos de nomeação episcopal, numa celebração eucarística que juntou os membros da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) na Capelinha das aparições. D. Alfio Rapisarda, nasceu na Catânia, Sicília, a 2 de Setembro de 1933, tendo sido ordenado sacerdote a 14 de Julho de 1957. A sua nomeação episcopal teve lugar a 21 de Abril de 1979, com a ordenação a acontecer na Basílica São Pedro, Vaticano, a 27 de Maio desse ano. O Núncio apostólico tem uma vasta experiência diplomática, tendo já passado pelo Brasil, África e Bolívia. ECCLESIA – O que significam estes 25 anos como Bispo? D. Alfio Rapisarda – Em primeiro lugar, este é um momento de agradecer ao Senhor pelo dom que me deu, no Episcopado, porque é um ministério que foi uma escolha por parte dele como tive ocasião de lembrar durante a Eucaristia. Nós muitas vezes perguntamo-nos como fomos escolhidos, com as nossas limitações e fragilidades. A resposta é que, apesar delas, temos de ter confiança em quem nos escolheu. O meu agradecimento vai também por tudo o que, ao longo deste 25 anos, pude fazer com a assistência e a ajuda do Senhor ao serviço da Igreja. Estive na Bolívia (de 1979 a 1985), passei para a África (República Democrática do Congo, de 1985 a 1992) e o Brasil (de 1992 a 2002), antes de chegar a este país tão fantástico, tão católico, tão querido e hospitaleiro. Este é o meu percurso e espero poder seguir até quando for possível, com a maior fidelidade possível. ECCLESIA – É um homem da Igreja, mas também um homem da diplomacia. Qual foi a sua missão mais difícil até hoje? AR – Como Núncio tocou-me uma missão difícil na Bolívia, onde houve um golpe de Estado. A Igreja conseguiu, graças a Deus, que as partes se entendessem e conseguissem dialogar. A minha experiência como diplomata é esta: há sempre uma solução quando dialogamos. Mesmo se temos posições diferentes, através do diálogo vamos sempre encontrar um ponto de onde podemos partir para fazer alguma coisa concreta. Por isso, eu sou sempre pelo diálogo, procuro dialogar com todo o mundo, porque temos de conviver e não podemos exigir que os outros pensem como eu penso. ECCLESIA – Houve alguma missão que lhe desse um prazer particular? AR – Para mim foram todas bonitas, mas cada uma teve as suas características. Posso dizer que o melhor, para mim, foi ter-me sentido nestes países como se estivesse em casa: respiramos a mesma atmosfera, que é a da Igreja. Foi esse espírito de família que me deu sempre a força e a coragem de seguir em frente. ECCLESIA – Como é que vê a Igreja portuguesa? AR – É uma Igreja muito dedicada ao serviço apostólico, muito unida. Passei estes dias em Fátima, num clima de família, e agradou-me muito ver como os Bispos se empenham e estão de acordo para servir da melhor maneira possível a Igreja e o povo.
