Visita do cardeal Kasper a Moscovo começa a deixar boas indicações para o futuro O anúncio de uma reunião do cardeal alemão Walter Kasper, responsável do Vaticano pelo diálogo com as Igrejas cristãs, com o Patriarca Ortodoxo de Moscovo e de todas as Rússias, Alexis II, na próxima segunda-feira, 23 de Fevereiro, surge como um sinal de que novos ventos podem estar a soprar desde a Ortodoxia. A este facto, anunciado ontem, há a somar a criação de comissão conjunta Católico-Ortodoxa, encarregada de abordar os muitos problemas ainda não solucionados, no diálogo ecuménico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa da Rússia. O cardeal Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, encontrou-se ontem com o Metropolita de Smolensk e Kalinigrado, Kirill, responsável do Patriarcado de Moscovo pelas relações dessa Igreja com o exterior. Foi aí que um dos temas mais quentes das controvérsias recentes terá ficado resolvido. Conforme anunciou o Patriarcado de Moscovo, o cardeal Kasper confirmou que o Vaticano tinha recebido os documentos que a Igreja Ortodoxa russa e outras Igrejas Ortodoxas enviaram, contestando a possibilidade de criação de uma Patriarcado greco-católico na Ucrânia. O compromisso católico em conservar “as relações com as Igrejas Ortodoxas” deverá passar pelo não cumprimento desse anseio dos católicos na Ucrânia, dado que o cardeal Kasper já o tinha deixado adivinhar e que ontem manifestou claramente ao Metropolita Kirill que “a opinião unânime das Igrejas Ortodoxas foram objecto de uma séria consideração por parte da direcção da Igreja Católica”. Outra das pedras no sapato é a alegada acção missionária dos católicos na Rússia e nos territórios da antiga União Soviética, que para o Patriarcado de Moscovo são de tradição ortodoxa e assim devem permanecer. Também neste caso o cardeal alemão tentou colocar alguma água na fervura, indicando que “a Rússia não é um país pagão” e colocando em sentido os católicos locais em relação a uma atitude missionária. No discurso que proferiu no Conselho Pastoral da Igreja Católica local, na Catedral “Maria Imaculada”, de Moscovo, o presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos lembrou que “os Católicos e os Ortodoxos rezam o mesmo Pai-nosso” e que a sua separação “é contrária à vontade de Jesus”. O desejo de unidade do Papa João Paulo II foi também recordado pelo membro da Cúria Romana, o primeiro alto dirigente católico a visitar a Rússia em 2 anos. “A aproximação entre os cristãos é uma das prioridades do Papa, que me enviou a Moscovo”, confessou. Apesar de todas as boas indicações que os primeiros dias de visita têm deixado, o cardeal Kasper mostra-se realista e vinca aos católicos da região que “não tenho ilusões, sei que esta tarefa não é fácil: conheço as reservas e os preconceitos de parte a parte, os obstáculos, as dificuldades, a longa história de divisão e tudo o que a caracterizou”. “O caminho para a plena unidade ainda é longo”, concluiu. Para saber mais • Esperanças do Vaticano na viagem do cardeal Kasper a Moscovo • Vaticano envia responsável pelo diálogo com as Igrejas cristãs a Moscovo • Patriarca de Moscovo critica o Vaticano • Bartolomeu I contra a criação de patriarcado greco-católico na Ucrânia
