A agência AsiaNews, do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras (PIME), assegura que o novo Bispo auxiliar de Xian, D. António Dang Mingyan, foi nomeado com a aprovação de Pequim e do Vaticano. A confirmar-se, este dado, estaríamos na presença de um novo passo na anunciada aproximação entre as duas partes. Ainda esta semana, Bento XVI confessou aos jornalistas as expectativas que nutre em relação ao diálogo com a China, referindo que “todos esperamos que siga em frente, temos esperança”. A ordenação episcopal teve lugar no dia 26 e foi presidida pelo Arcebispo local, D. António Li Duan, reconhecidamente fiel ao Vaticano e ao Papa. A diocese de Xian conta com 20 mil católicos. A agência do PIME assegura que esta ordenação episcopal e a do mês anterior, em Xangai (D. Giuseppe Xing Wenzhi), contaram com a aprovação da Santa Sé e o beneplácito do governo chinês, apesar dos desmentidos públicos do ministério dos negócios estrangeiros desse país. Desta vez estiveram presentes, contudo, representantes do governo local e do secretariado administrativo para os assuntos religiosos, para além de dois sacerdotes em representação da Associação Patriótica, a Igreja “oficial” na China. O governo chinês cortou relações com o Vaticano em 1951, dois anos após a subida do Partido Comunista ao poder. A Santa Sé mudou então a sede de Pequim para Taipé e é um dos 25 países do mundo que mantém relações diplomáticas com Taiwan, em detrimento da China. A Igreja clandestina na China, fiel ao Papa, é formada por católicos que não aceitam o controlo exercido pelo governo comunista através da Associação Patriótica Católica, instituição que se atribui o direito de nomear bispos ou controlar outros muitos aspectos da vida da Igreja. Embora o Partido Comunista (68 milhões de membros) se declare oficialmente ateu, a Constituição chinesa permite a existência de cinco Igrejas oficiais, entre elas a Católica, que tem 5,2 milhões de fiéis. Segundo fontes do Vaticano, a Igreja Católica “clandestina” conta mais de 8 milhões de fiéis, que são obrigados a celebrar missas em segredo, nas suas casas, sob o risco de serem presos. Vários contactos informais têm sido desenvolvidos desde que Bento XVI sucedeu a João Paulo II, fazendo do estabelecimento de relações diplomáticas com a China uma das suas prioridades. A Santa Sé considera que não há “dificuldades insuperáveis” que impeçam o estabelecimento de relações diplomáticas com a China, desde que haja “boa vontade” de todas as partes.
