A Igreja Católica lança mais um alerta sobre uma situação dramática na África, antecipando-se às preocupações da opinião pública internacional: milhões de pessoas podem morrer à fome no Quénia se não se actuar rapidamente. O país está a ser afectado por uma seca que está a prejudicar as colheitas deste ano. “As paróquias estão a auxiliar as populações mas as reservas de mantimentos estão a esgotar-se”, alertou o Pe. Rafael Mangiti, em entrevista à Fundação “Ajuda à Igreja que Sofre”. O missionário gere um centro pastoral na cidade de Karungu, perto do lago Vitória. O centro foi inaugurado o ano passado e foi financiado pela Fundação. Nos últimos meses muitas pessoas têm procurado o centro, mas para pedir algo para comer. “As pessoas estão constantemente a bater à nossa porta para pedir ajuda, mas a este ritmo não teremos nada para lhes dar”, lamenta. Esta situação repete-se em várias regiões do país, levando o clero queniano a pedir ajuda aos seus bispos. Foram distribuídos mantimentos pelas paróquias para dar assistência às populações famintas, mas as reservas de mantimentos deverão esgotar-se dentro de poucos meses. “Estamos a apelar desesperadamente por ajuda”, afirmou o Pe. Mangiti. A época das chuvas foi bastante fraca este ano no Quénia. Em Abril e Maio a ausência de chuva nas principais zonas rurais fez com que as colheitas fossem as menos produtivas desde 1999. Com o fracasso das colheitas e com o preço do gado a cair as populações mais afectadas pela fome voltam-se agora para a caça e para a produção e venda de carvão, como forma de conseguir dinheiro para comprar comida. O Programa Mundial de Combate à Fome das Nações Unidas lançou um plano de emergência de 82 milhões de dólares para dar assistência a mais de 2 milhões de quenianos afectados pela fome e pela seca. Segundo as previsões das Nações Unidas, se no final deste ano as chuvas forem igualmente fracas, em 2005 cerca de 3 milhões e 300 mil pessoas poderão vir a ser afectadas pela fome.
