Bispos reunidos no Sínodo querem católicos ao encontro da sociedade, sem «pessimismo»
Cidade do Vaticano, 26 out 2012 (Ecclesia) – Os participantes no Sínodo dos Bispos, que decorre no Vaticano, afirmaram hoje que a ‘nova evangelização’ da Igreja Católica tem de passar pelo compromisso efetivo no campo político e económico, recusando o pessimismo.
“Um âmbito em que a luz do Evangelho pode e deve iluminar os passos da humanidade é o da vida política, à qual se pede um compromisso de cuidado desinteressado e transparente pelo bem comum”, assinala a mensagem final desta assembleia, apresentada em conferência de imprensa.
No texto, divido em 14 pontos, os representantes dos episcopados católicos convocados pelo Papa assinalam que “a secularização e a crise do primado da política e do Estado pedem que a Igreja repense a sua própria presença na sociedade”, perante “mudanças sociais e culturais”.
“Mesmo nas formas mais ásperas de ateísmo e agnosticismo podemos reconhecer, ainda em modos contraditórios, não um vazio, mas uma nostalgia, uma espera que requer uma presença adequada”, indica o documento.
Para o Sínodo, “não há lugar para o pessimismo nas mentes e nos corações” dos católicos.
A 13ª assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, um organismo consultivo criado por Paulo VI em 1965, tem como tema ‘A nova evangelização para a transmissão da fé cristã’ e decorre até domingo.
Segundo os participantes nesta reunião magna, onde se incluem os bispos do Porto e de Lamego, não se trata de “inventar novas estratégias” mas de adaptar a mensagem cristã às “condições” atuais.
Nesse sentido, o documento conclusivo dirige-se “ao mundo da economia e do trabalho”, deixando críticas às condições que transformam a realidade laboral “num peso insuportável, com uma perspetiva incerta, ameaçada pelo desemprego em especial entre os jovens”.
Os bispos apelam ao respeito pela vida e do matrimónio, à liberdade na educação, à promoção da liberdade religiosa, bem como à “eliminação de injustiças, desigualdades, discriminações, violência, racismo, fome e guerra”.
O texto que sintetiza as centenas de intervenções dos prelados apresenta o “rosto do pobre” como um desafio à Igreja: “As muitas e novas formas de pobreza abrem espaços inéditos ao serviço da caridade”.
Os mais de 260 participantes na assembleia convocada por Bento XVI – um número recorde – reuniram-se em 20 ‘congregações gerais’ desde o dia 7 deste mês e preparam agora as propostas que vão entregar ao Papa, no sábado.
“Em todos os lugares se sente a necessidade de reavivar a fé, que corre o risco de apagar-se em contextos culturais que colocam obstáculos ao seu enraizamento pessoal, à sua presença social”, alertam os bispos, na sua mensagem ‘ao Povo de Deus’.
O documento fala na busca dos que procuram o “significado pleno da existência” e alerta para as “águas contaminadas” que se encontram entre os “muitos poços que se oferecem para a sede do homem”.
Migrações e globalização são apresentados como “oportunidade para alargar a presença do Evangelho”, que deve chegar ainda às famílias, aos jovens, ao mundo dos media, da cultura, da ciência e, em particular, ao “coração e mente, muitas vezes distraídos e confusos, dos homens e mulheres” de hoje.
O texto faz ainda uma referência ao diálogo ecuménico e inter-religioso, com críticas ao “fundamentalismo” e à violência entre crentes, antes de dirigir uma saudação específica aos católicos em cada um dos cinco continentes.
OC