Os olhares dos jornalistas de todo o mundo não se afastaram da janela do quarto do Papa, no décimo andar da Clínica Gemelli, onde as luzes permaneceram ligadas até às duas da manhã, após a traqueotomomia da noite de ontem. A pequena intervenção demorou 30 minutos, seguida por uma equipa médica alargada, a fim de se assegurar uma ventilação adequada e favorecer a resolução da patologia na laringe. As agências internacionais dão conta de uma noite tranquila do Papa, citando fontes do hospital. “Agora, estamos muito mais descansados”, foi a única declaração que fez o Rodolfo Proietti, o chefe da equipa médica que acompanha João Paulo II, depois da operação. Segundo a agência Ansa, o Papa já respiraria de maneira autónoma, sem a ajuda de nenhum ventilador ou compressor. O comunicado oficial do Vaticano referia que a evolução do estado de saúde do Papa, de 84 anos, tornou necessária “a execução de uma traqueotomia para assegurar uma ventilação adequada ao paciente”. As primeiras reacções forma, pois, de serenidade e satisfação pelo êxito da operação, contrastando com o pessimismo espalhado pelos peritos consultados pelos meios de comunicação social mundiais. As maiores preocupações, de facto, prendiam-se mais com a anestesia geral do que a traqueotomia, intervenção que se pode revestir de um carácter temporário.
