As Igrejas cristãs de Portugal estão a celebrar, desde o passado dia 18 de Janeiro, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, em sintonia com milhões de fiéis de todo o mundo. Habitualmente a grande referência para a prática do diálogo ecuménico entre nós, pontuada por encontros em todas as dioceses que juntam os principais líderes das comunidades cristãs, a Semana de Oração chega este ano depois de o Encontro Europeu de Jovens ter reunido católicos, luteranos, anglicanos, evangélicos e ortodoxos em Lisboa, numa experiência absolutamente única no nosso país. Para acolher esses jovens, vários foram os casos em que as paróquias católicas colaboraram directamente com as suas congéneres de outras confissões, para além das famílias cristãs que abraçaram o projecto de acolhimento junto das comunidades católicas. Um exemplo, visível e palpável, do diálogo e da cooperação ecuménica que os responsáveis do Vaticano gostariam de ver implementada. Num país de traços profundamente católicos, a experiência de Taizé mostrou algo completamente diferente das vivências mais tradicionais da religiosidade, das expressões de fé, de oração e reflexão: no ambiente de silêncio, simplicidade, beleza e comunhão que se procura criar, o fundamental é redescobrir Jesus como a referência espiritual que pode transformar a experiência do quotidiano. A oração é apresentada como a chave do problema. O próprio Concílio Vaticano II classificava a oração como “a alma do movimento ecuménico”. As propostas apresentadas para esta Semana de Oração são um desafio aos cristãos do nosso país, em relação ao modo como rezam, como se relacionam entre si, sobretudo na maneira de apresentar Jesus aos que partiram para longe das comunidades cristãs. Para que o movimento ecuménico passe das intenções à prática pastoral são necessárias algumas estruturas, que a Igreja Católica já apresenta desde 1993 no Directório para o Ecumenismo. Cada bispo deve nomear um Delegado Diocesano para o Ecumenismo, com as funções de animar na diocese esta preocupação e funcionar como conselheiro do mesmo bispo nos assuntos específicos do ecumenismo e recomenda-se também que em cada Diocese seja criada uma Comissão ou um Secretariado para o ecumenismo. É orientação do mesmo Directório que cada Conferência Episcopal crie a sua própria comissão episcopal para o Ecumenismo, constituída por peritos na matéria escolhidos entre o clero, os religiosos e os leigos. Em Portugal, as responsabilidades estatutárias de uma comissão episcopal para o Ecumenismo estão confiadas à Comissão Episcopal da Doutrina da Fé. Além destas estruturas, o nosso país tem-se destacado pela actividade ecuménica dos jovens, congregadora em particular de quatro Igrejas: a Católica, a Lusitana, a Metodista e a Presbiteriana. Estas iniciativas nasceram da necessidade de se concretizar o dinamismo surgido da II Assembleia Ecuménica Europeia, que decorreu em Graz, no ano de 1997. A organização destas iniciativas está a cargo de uma equipa ecuménica, que procura assegurar, pelo menos, três momentos de celebração e reflexão ecuménica, dos quais se destaca o Fórum Ecuménico Jovem. Notícias relacionadas • Vaticano faz balanço positivo do caminho ecuménico
