Natal dos Povos reúne cada vez menos imigrantes de Leste

Comunidade Ortodoxa instala-se em Viana Os cristãos passarão a dispor de uma Comunidade Ortodoxa em Viana do Castelo a partir do próximo mês de Fevereiro, adiantou ao Diário do Minho o teólogo Vassili que, ontem, se deslocou ao Alto Minho para a celebração do Natal dos Povos promovido pela Cáritas diocesana. Para este teólogo, actualmente a exercer funções em Espanha, a celebração de rito bizantino que juntou no Centro Pastoral Paulo VI, meia centena de imigrantes que trabalham na região, permite a todas estas famílias «reunirem-se na celebração do Natal ortodoxo» e, mesmo deslocadas, «não cortarem raízes com a sua fé e com as suas tradições». Ainda com o lugar por definir, o Centro de Espiritualidade vai precisamente contribuir para consolidar este espírito de família, permitindo que celebrem a sua fé e, ao mesmo tempo, disponibilizar outros serviços de apoio, do espiritual ao material, nomeadamente através do fornecimento de literatura para esclarecimento e aprofundamento da fé, explica Vassili. A celebração da fé, presidida pelo Bispo do Patriarcado de Constantinopla, Hilarião Rudnik, é sempre marcada pela presença do simbólico incenso, usado profusamente em variadíssimos momentos, e por uma liturgia quase toda cantada, num diálogo entre presidente da celebração e cantor da assembleia, com momentos de canto colectivo. Nesta celebração marcou presença na Assembleia o Bispo da Diocese, manifestando a comunhão das Igrejas e a abertura da Igreja Católica no acolhimento a todas estas pessoas que demandaram o Alto Minho em busca de melhores condições de vida. Esta celebração, à qual a Cáritas passou a chamar “Natal dos Povos”, reúne cada vez menos imigrantes da Europa de Leste para ver aumentar os de proveniências diversas, com particular ênfase para o Brasil e América Latina. É o caso Guillermo Sanabria, de 32 anos, um dos imigrantes presentes que veio para Portugal, não do Continente Europeu, mas sim do outro lado do Atlântico, de Cuba, em busca de outras oportunidades. «Estou em Portugal desde 2001. Estive primeiramente em Viseu, mas há cerca de três anos que me instalei em Viana do Castelo», revelou este chapeiro de profissão. Ontem quis também celebrar o Natal com a família, apesar de manter as saudades da época festiva no seu país natal: «Em Cuba celebra-se a data com mais alegria», recorda com ar saudosista. José Machado, o presidente da Cáritas de Viana do Castelo, manifestava algum desconsolo pela falta de adesão dos imigrantes à iniciativa, depois de as padarias e pastelarias da cidade terem generosamente oferecido o lanche que permitiu um prolongado convívio à volta da mesa. A diminuição dos imigrantes da Europa de Leste, nesta iniciativa, que contou com o apoio do Centro Local de Atendimento ao Imigrante, explica-se com a deslocação destes cidadãos, sobretudo para Lisboa e para Espanha, disse fonte daquele organismo que, durante 2005, prestou assistência a cerca de 400 pessoas.

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