A Santa Sé considera que a multiplicidade cultural deve ser respeitada em todo o mundo. A posição foi assumida pelo Cardeal Stephen Fumio Hamao, presidente do Conselho Pontifício da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes na apresentação da mensagem do Papa para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2005. Partindo do tema escolhido por João Paulo II, “A integração intercultural”, o Cardeal japonês disse na conferência de imprensa que “é necessário remover os obstáculos à paridade social dos imigrantes, valorizando a subjectividade das pessoas provenientes de contextos culturais diferentes”. A questão da interculturalidade estava já presente no último documento deste Dicastério, a Instrução “Erga Migrantes caritas Christi” (A caridade de Cristo para com os Migrantes), como lembrou o arcebispo Agostino Marchetto, secretário do Conselho Pontifício. “Um dos desafios mais difíceis do terceiro milénio é o de aprender a viver unidos na diversidade e na multiplicidade das culturas, etnias e religiões”, reconheceu. Neste sentido, o Cardeal Stephen Fumio Hamao desmentiu aos jornalistas que a Mensagem do Papa convidasse a “converter” os não-cristãos, de modo especial os muçulmanos. “Não podemos converter, podemos tornar amigos dos fiéis das outras religiões: se eles se interrogarem sobre as raízes desta amizade cristã, podemos explicar-lhes porque acreditamos num Deus Salvador. Nem mesmo a reciprocidade pode ser imposta”, afirmou. A Mensagem de João Paulo II faz referência, de facto à “à pregação do Evangelho de Cristo a todas as criaturas”, mas o Papa lembra aos cristãos que devem fazê-lo “no respeito pela consciência do próximo”. “Os cristãos, conscientes da acção transcendente do Espírito, sabem também reconhecer, nas várias culturas, a presença de «preciosos elementos religiosos e humanos», que podem oferecer sólidas perspectivas de compreensão recíproca”, refere o texto. Os números O subsecretário do Conselho Pontifício, Pe. Michael Blume, apresentou aos jornalistas as estatísticas relativas às cerca de 175 milhões de pessoas que vivem num país diferente daquele em que nasceram: 56 milhões na Europa, 50 milhões na Ásia, 41 milhões na América do Norte, 16 milhões na África, 6 milhões na América Latina e Caribe, 6 milhões na Oceania. O responsável adiantou que os EUA são o país com maior número de imigrantes: 35 milhões de pessoas, provenientes de cerca de 40 países. “As estatísticas mostram claramente que as sociedades de hoje são compostas por pessoas de várias proveniências e, portanto, de diversas culturas, tradições, línguas, religiões, valores, etc. Os países de acolhimento não podem ignorar o facto de que já não existe uma população homogénea”, apontou.
