Mulheres «ordenadas» desafiam Bento XVI

As mulheres que têm promovido uma série de “ordenações” sacerdotais católicas na Europa e na América vão promover um Congresso no início do próximo ano, em Paris, para pedir a Bento XVI uma “profunda reforma das estruturas eclesiásticas”. O congresso será realizado pela organização francesa “Femmes et Hommes en Eglise”, que considera que as mulheres estão “excluídas” da Igreja por não poderem ser ordenadas. Geneviève Beney, 55 anos, tornou-se este fim-de-semana na primeira mulher francesa a ter sido “ordenada, embora tal não seja reconhecido pela Igreja Católica. Mesmo antes de acontecer, a “ordenação” já tinha sido considerada inválida pelo arcebispo da diocese, cardeal Philippe Barbarin. Depois de ter enviado uma carta pessoal a Geneviève Beney, o Cardeal Barbarin emitiu um comunicado onde afirmava que não haveria “nenhuma verdade” nas palavras que seriam pronunciadas, “nem nos actos” que seriam realizados. “Uma tal cerimónia constituirá sem equívoco um acto grave de ruptura com a Igreja Católica”, dizia o Cardeal. Recentemente, 14 mulheres foram ordenadas na Europa em cerimónias similares. O Vaticano excomungou em 2003 as primeiras sete mulheres “ordenadas” sobre o rio Danúbio, entre a Alemanha e a Áustria, pelo que estas mulheres e a pessoa que preside à cerimónia não estão em comunhão com a Igreja Católica. Em 2004, a Congregação para a Doutrina da Fé, presidida pelo então Cardeal Joseph Ratiznger, escreveu uma Carta aos bispos da Igreja Católica sobre a colaboração do homem e da mulher na Igreja e no mundo. No texto referia-se que “as mulheres desempenham um papel de máxima importância na vida eclesial” e recordava-se “o facto de a ordenação sacerdotal ser exclusivamente reservada aos homens (dado reafirmado pelo Papa João Paulo II na Carta apostólica Ordinatio sacerdotalis de 22 de Maio de 1994, ndr)”, considerando que isso “não impede as mulheres de terem acesso ao coração da vida cristã”.

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